Uma caverna em **Waitomo**, na **Ilha Norte da Nova Zelândia**, tornou-se o palco de uma descoberta arqueológica que reescreve a história da fauna antiga do país. Os restos fossilizados de **aves** e **rãs** encontrados no local pertencem a animais que viveram cerca de **1 milhão de anos** atrás, muito antes da ocupação humana nas ilhas. Entre os achados mais notáveis, estão **12 espécies de aves**, incluindo um parente ancestral desconhecido do **kākāpō** (o papagaio noturno neozelandês), e quatro exemplares de rãs [2][4].
Os pesquisadores descrevem o achado como uma verdadeira "viagem no tempo" que permite compreender como era a biodiversidade local antes da chegada dos humanos. A análise dos fósseis revelou que as aves existentes na Nova Zelândia há 1 milhão de anos eram **diferentes** das encontradas posteriormente, indicando que **33% a 50% das espécies** já haviam desaparecido antes da ocupação das ilhas [2][3].
A descoberta foi liderada pela **Universidade Flinders**, na Austrália, em parceria com instituições neozelandesas e australianas, com resultados publicados na revista *Alcheringa: An Australasian Journal of Palaeontology* [2]. Para determinar a idade dos fósseis, os cientistas basearam-se em duas camadas de **cinzas vulcânicas** que preservaram os exemplares na caverna: uma datada de cerca de **1,55 milhão de anos** e outra de aproximadamente **1 milhão de anos**, estabelecindo o limite cronológico dos animais [1][3].
Como não havia presença humana na ilha naquela época, a transformação da fauna neozelandesa é atribuída a **mudanças ambientais naturais**, especialmente impulsionadas por **erupções vulcânicas** [3]. Segundo Paul Scofield, coautor do estudo, as escavações preenchem lacunas críticas nos registros fósseis do país oceânico, lançando luz sobre um período que estava "praticamente ausente" do registro fóssil da Nova Zelândia. "Este não era um capítulo perdido na história antiga da Nova Zelândia, era um volume perdido", exalta Scofield [1].
