As autoridades francesas confirmaram, nesta quarta-feira (24), o primeiro caso de ebola registrado no país e o primeiro identificado fora do continente africano desde o início do atual surto. O paciente é um médico que atuava em missão humanitária na República Democrática do Congo (RDC), onde a doença está em 17º surto, declarado em 15 de maio e que já provocou mais de mil infecções e 267 mortes[1][2].

Segundo o Ministério da Saúde da França, o profissional foi identificado como positivo para o vírus Bundibugyo e recebeu atendimento imediato após chegar ao território francês. Ele foi rapidamente transferido para um centro hospitalar especializado em doenças infecciosas de alta transmissibilidade, onde permanece em isolamento[1][2].

O ministério reforçou que os protocolos de biossegurança foram ativados de imediato, incluindo o transporte controlado do paciente e o isolamento de possíveis contatos. Uma investigação epidemiológica está em andamento para identificar pessoas que tiveram contato com o médico; esses indivíduos deverão cumprir 21 dias de isolamento domiciliar com monitoramento contínuo pelas autoridades regionais de saúde[1][2].

A França dispõe de infraestrutura especializada para o tratamento de doenças altamente contagiosas, com unidades equipadas em pressão negativa e medidas rigorosas de biossegurança[1]. O risco de propagação para a população europeia em geral é considerado baixo, embora a Organização Mundial da Saúde (OMS) alerte que o risco de propagação na RDC e em Uganda é alto nos níveis nacional e regional, mas baixo em escala global[2].

Atualmente, existem duas vacinas aprovadas para a doença: Ervebo e Zabdeno e Mvabea, sendo a Ervebo recomendada como parte da resposta a surtos[2]. Apesar disso, não há terapias aprovadas para outras formas de ebola, embora produtos com potencial terapêutico estejam em desenvolvimento[2]. A OMS reconheceu em junho que a transmissão da doença estava aumentando, apesar do reforço das medidas sanitárias, mas o surto ainda não cumpre critérios de emergência pandêmica[2].