As funerárias de Paris atingiram sua capacidade máxima nesta segunda-feira (29), devido ao aumento abrupto de óbitos provocado pela onda de calor recorde que deixou pelo menos 1.000 mortos na França na semana passada[1][2]. A agência nacional de saúde pública informou que, desde a quarta-feira, foram registradas cerca de 1.000 mortes adicionais em comparação com os meses anteriores, embora o balanço final possa ser ainda maior[1].
85% dos falecidos tinham 65 anos ou mais, segundo dados das autoridades[1]. As maiores altas de mortalidade foram registradas em mortes em domicílio, especialmente em Paris e na periferia da capital francesa[1]. A França viveu temperaturas superiores a 40°C durante o dia e um recorde de noite mais quente com média de 22°C, chegando a 26,4°C em Paris[1]. Cientistas alertam que esta onda de calor é a mais intensa já registrada na Europa e teria sido impossível em junho sem a mudança climática[1].
Élisabeth Charrier, presidente da Federação Nacional de Funerárias, relatou que a ocupação das empresas, que costuma oscilar entre 30% e 45% no verão, passou de 66% em todo o país[1]. Em alguns locais, os necrotérios alcançaram a capacidade máxima, especialmente nos centros urbanos[1]. "A principal dificuldade está em Paris, onde as duas únicas funerárias estão no máximo de sua capacidade desde a sexta-feira passada", disse Charrier à AFP[1]. As famílias precisam se deslocar para a periferia próxima ou distante para encontrar espaço e homenagear seus entes queridos[1].
Charrier alertou para um "efeito dominó" nos próximos dias, devido ao tempo de espera para cremações e sepultamentos, pois o pessoal "não pode cavar túmulos muito mais rápido"[1]. O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, convocou uma reunião de crise para analisar o impacto da onda de calor, que alterou a vida cotidiana e provocou o fechamento de escolas e locais turísticos[1]. A oposição criticou as autoridades por falta de preparo diante do clima extremo[1]. "Devemos lançar toda a luz possível sobre o gravíssimo balanço humano que está por vir para determinar as responsabilidades políticas", afirmou a líder ecologista Marine Tondelier[1].
Laurent Nuñez, ministro do Interior, defendeu a resposta do governo, afirmando que "é completamente inédito ter níveis de temperatura assim"[1]. A onda de calor também chegou aos Bálcãs, com temperaturas acima de 38°C provocando incêndios florestais[1]. Na Eslováquia, foi registrado um recorde de calor de 40,5°C na localidade de Muzla[1].
