Em Évian, líderes do G7 demonstram coesão histórica para intensificar a pressão sobre Moscou e impulsionar avanços de Kiev.

Os líderes das sete democracias mais industrializadas do mundo, o G7, reafirmaram nesta quarta-feira 17 sua unidade inabalável em apoio à Ucrânia, comprometendo-se com a integridade territorial do país e com o aumento das sanções contra a Rússia. A cúpula, realizada na cidade francesa de Évian, marcou um momento de coesão significativa, especialmente diante de posições anteriores do governo Trump, que por vezes se mostraram desalinhadas.

A declaração conjunta destaca o progresso ucraniano no campo de batalha e sinaliza uma nova fase de pressão sobre a economia de guerra russa, focando principalmente nos setores de petróleo e gás. Essa abordagem visa desestabilizar as capacidades financeiras de Moscou e acelerar o fim do conflito.

Além das medidas econômicas, o grupo concordou em expandir o fornecimento de capacidades de defesa aérea, sistemas e interceptadores adicionais de longo alcance para Kiev, intensificando o suporte militar. A relevância desta unidade é sublinhada pela superação de recusas anteriores de Donald Trump em assumir uma posição nitidamente pró-Kiev, conforme informação divulgada por Carta Capital – Mundo.

Intensificação da Pressão e Apoio Militar Robusto

Os líderes da Alemanha, EUA, Japão, Itália, França, Canadá e Reino Unido, juntamente com a Comissão Europeia, concordaram em aumentar a pressão sobre a Rússia. Novas sanções, visando principalmente o setor de petróleo e gás, serão implementadas para desestabilizar a “economia de guerra russa”.

Para apoiar e acelerar a nova dinâmica no conflito, o grupo comprometeu-se a aumentar o fornecimento de capacidades de defesa aérea, incluindo sistemas e interceptadores adicionais. O envio de armamentos de longo alcance para Kiev também foi assegurado.

O comunicado conjunto da cúpula do G7 em Évian foi considerado crucial, especialmente porque governos anteriores, como o de Donald Trump, tinham dificuldade em alinhar-se em questões complexas sobre o fim da guerra na Ucrânia.

A declaração, assinada pelo governo Trump, que em outras ocasiões havia recusado posições pró-Ucrânia, destacou os “progressos no campo de batalha” alcançados por Kiev nos meses recentes, indicando uma mudança de perspectiva.

Donald Trump Muda o Tom e Agita o Cenário Internacional

Diferentemente da reunião de junho de 2025, no Canadá, onde não houve consenso sobre a guerra na Ucrânia devido à recusa dos EUA, a declaração atual começa com um apoio inequívoco. O presidente francês, Emmanuel Macron, anfitrião da cúpula, priorizou a Ucrânia, convidando Volodymyr Zelensky como hóspede especial.

Na terça-feira, Trump afirmou que as sanções contra a Rússia, flexibilizadas durante a guerra com o Irã para reduzir os preços do petróleo, poderiam ser restabelecidas. Ele também declarou que Moscou “deveria chegar a um acordo” para encerrar o conflito com Kiev, prometendo fazer “tudo o que pudesse” para isso.

As declarações de Donald Trump foram bem recebidas pelos líderes europeus, gerando otimismo. Contudo, dúvidas persistiam sobre o apoio dos EUA para aumentar a pressão sobre a Rússia e se o presidente americano reconheceria a necessidade de negociações de paz com a participação europeia.

A jornalistas, Trump declarou que “não temos nada a ver com” a guerra da Rússia contra a Ucrânia, afirmando: “Isso não tem impacto sobre nós. Estamos a milhares de quilômetros de distância”. Ele acrescentou que o conflito logo ficaria “para trás”, mas, por enquanto, seguia “focado no Irã”.

Agenda Ampla: Oriente Médio, Minerais Críticos e China

Os líderes do G7 também saudaram o acordo preliminar de paz entre Estados Unidos e Irã, anunciado por Trump na véspera da cúpula. Eles se mostraram prontos para contribuir com sua implementação, buscando diversificar rotas de fornecimento de energia para reduzir a dependência do Estreito de Ormuz e aumentar as reservas.

Nesta quarta-feira, a atenção se voltou para minerais críticos e desequilíbrios econômicos globais. A França pressiona por uma declaração sobre minerais críticos, visando reduzir a dependência ocidental da China e proteger investidores contra contramedidas e práticas de dumping.

Os Estados Unidos propuseram, para o início de 2026, a criação de um bloco comercial para minerais críticos. Contudo, há divergências entre os países sobre o funcionamento desse bloco, especialmente no contexto da política “America First” da Casa Branca.

O G7 também discutiu o reequilíbrio do comércio global e o enfrentamento da “concorrência predatória”, principalmente da China. A França resumiu os desequilíbrios: a China produz demais, os Estados Unidos consomem demais e a Europa investe de menos.

Otimismo Europeu e Celebração em Kiev

Líderes europeus demonstraram otimismo em relação à Ucrânia e ao conflito, que já dura mais de quatro anos. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que “a maré está mudando para a Ucrânia. A situação em 2026 é muito diferente da de 2025. A Ucrânia está defendendo corajosamente a linha de frente. O cansaço da Rússia está ficando evidente”.

O chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, percebeu Trump em um clima de cooperação, dizendo a jornalistas: “Tenho um certo otimismo de que europeus e americanos farão de tudo para pôr fim a essa guerra”. Merz também destacou que o presidente dos EUA não via problema no envolvimento europeu em futuras negociações de paz.

A declaração conjunta do G7 foi muito bem recebida na Ucrânia. O ministro das Relações Exteriores, Andrii Sybiha, celebrou uma “mudança positiva de tom e avaliações” em relação ao seu país, qualificando-a como “poderosa”.

Sybiha destacou a “unidade e a força” demonstradas por todos os integrantes do grupo, afirmando que o G7 “demonstra mais uma vez que as democracias mais fortes do mundo estão unidas com a Ucrânia e comprometidas com o restabelecimento de uma paz completa, justa e duradoura”.

O ministro ucraniano ressaltou a disponibilidade de todos os países do G7 para reforçar as capacidades militares, em particular a defesa aérea, além de apoiar o país com assistência energética e sanções mais rígidas contra a Rússia.