Geely registra alta de 36% no lucro impulsionado por exportações; presidente Li Shufu renuncia, enquanto a montadora reforça presença global e planos no Brasil.

A Geely, gigante automotiva chinesa, anunciou um impressionante aumento de 36% no lucro líquido para o segundo trimestre. O resultado, que atingiu 4,9 bilhões de yuans (cerca de US$ 727 milhões), foi amplamente impulsionado pela robustez das suas exportações, que conseguiram contrabalançar a demanda enfraquecida no mercado doméstico chinês. O desempenho superou as expectativas dos analistas e impulsionou as ações da empresa em Hong Kong.

Em paralelo aos resultados financeiros, a companhia revelou uma significativa reformulação em sua estrutura executiva. O empresário Li Shufu renunciou ao cargo de presidente do conselho da Geely Auto, a divisão de automóveis da empresa. Ele, no entanto, foi nomeado presidente honorário vitalício, uma medida que visa permitir-lhe dedicar mais tempo a outros empreendimentos e ao planejamento de sucessão na empresa.

Essa movimentação estratégica na liderança sinaliza um período de reorientação para a Geely, que continua sob a supervisão de Li Shufu como presidente do conselho da controladora Zhejiang Geely Holding Group. A montadora está determinada a fortalecer sua presença internacional, uma estratégia que agora ganha contornos mais definidos, incluindo planos de fabricação em solo brasileiro.

Desempenho Financeiro e Expansão Global da Geely

O lucro líquido de 4,9 bilhões de yuans no segundo trimestre da Geely Auto reflete a capacidade da empresa de se adaptar a um cenário global desafiador. Embora o lucro no primeiro semestre tenha registrado uma queda de 1,8%, para 9,09 bilhões de yuans, o valor ainda superou as estimativas de mercado, demonstrando resiliência.

A principal alavanca para esses resultados foi a agressiva estratégia de exportação. As vendas de carros na China sofreram uma queda de 20% nos primeiros seis meses do ano, com a Associação de Automóveis de Passageiros da China projetando uma retração de 14% para todo o ano de 2026. Em contrapartida, as exportações da Geely mais que dobraram no primeiro semestre, alcançando 474.228 veículos e impulsionando a revisão da meta de exportações para 2026 em 23%, para 920 mil veículos.

Reestruturação da Liderança e o Futuro de Li Shufu

A renúncia de Li Shufu do comando da Geely Auto é um dos pontos centrais da reestruturação. Conhecido por ser o arquiteto do vasto império automotivo da Geely, Li Shufu assume agora o papel de presidente honorário vitalício. Essa nova posição o libera para focar em outras áreas de negócios e, crucialmente, no planejamento estratégico de longo prazo e sucessão do grupo.

É importante ressaltar que, apesar de deixar a presidência da divisão de automóveis, Li Shufu mantém seu posto como presidente do conselho da Zhejiang Geely Holding Group, a holding que controla todo o conglomerado Geely. Isso garante que sua visão e influência continuarão a moldar o futuro da empresa em escala global.

Concorrência e Inovação no Mercado Automotivo

No cenário competitivo global, a Geely busca consolidar sua posição frente a rivais como a BYD. Enquanto a BYD vendeu 812.700 veículos no exterior no primeiro semestre — quase o dobro da Geely —, a montadora controladora da Volvo tem acelerado seus esforços para expandir sua rede de distribuição internacional e reduzir essa diferença.

A aposta em marcas subsidiárias também tem gerado frutos. A Zeekr, divisão de veículos de luxo da Geely, registrou resultados positivos, com o SUV 9X se tornando o veículo mais vendido na China na faixa acima de 500 mil yuans. Esse sucesso contribuiu para elevar o preço médio de venda dos carros da Geely em 15 mil yuans, chegando a 112 mil yuans.

Geely no Brasil: Acordos e Produção Local à Vista

A estratégia de expansão internacional da Geely ganha destaque com a oficialização de novas parcerias e planos de produção em mercados estratégicos. Em julho, a empresa fechou um acordo para utilizar a capacidade da fábrica da Ford em Valência, na Espanha, para a produção de seus veículos, expandindo sua base europeia.

Para o público brasileiro, a notícia mais relevante é a intenção da Geely de iniciar a produção local de modelos importantes. Por meio de uma joint venture com a Renault no Brasil, a montadora planeja fabricar o crossover compacto EX5 e o hatch compacto EX2, conhecido como Xingyuan na China. Essa iniciativa marca um passo significativo da Geely para consolidar sua presença e oferta de veículos no promissor mercado automotivo brasileiro.

Perguntas Frequentes

Qual foi o principal motivo para o aumento do lucro da Geely no segundo trimestre?

O principal motivo para o aumento de 36% no lucro líquido da Geely no segundo trimestre foi o forte desempenho das exportações robustas, que ajudaram a montadora a compensar a demanda fraca no mercado chinês.

Qual o novo papel de Li Shufu na Geely após a renúncia à presidência do conselho?

Li Shufu renunciou ao cargo de presidente do conselho da Geely Auto, mas foi nomeado presidente honorário vitalício, o que lhe permitirá focar em outros negócios e no planejamento de sucessão, mantendo a presidência do conselho da controladora Zhejiang Geely Holding Group.

A Geely tem planos de produção ou parcerias no Brasil?

Sim, a Geely deve iniciar a produção local do crossover compacto EX5 e do hatch compacto EX2 (Xingyuan na China) por meio de uma joint venture com a Renault no Brasil.

Como a Geely está lidando com a desaceleração do mercado chinês?

Para enfrentar a desaceleração doméstica, a Geely está focando na expansão internacional, tendo elevado sua meta de exportações para 2026 em 23%, para 920 mil veículos, e investindo em parcerias globais e mercados como o Brasil.

Qual a diferença entre o desempenho da Geely e da BYD nas exportações?

As exportações da Geely mais que dobraram no primeiro semestre, alcançando 474.228 veículos. No mesmo período, a BYD superou esse volume com 812.700 veículos exportados, quase o dobro do volume da Geely.