Mais de 100 mil pessoas morreram desde o início da guerra civil em Mianmar, desencadeada por um golpe de Estado militar em fevereiro de 2021, indicou uma organização especializada em monitorar conflitos armados. Não há balanço oficial sobre as vítimas do conflito, que está em andamento há cinco anos, e as estimativas variam bastante, mas analistas consideram que este é o conflito atual mais mortal da Ásia[2][5].

Segundo dados da ONG norte-americana ACLED (Armed Conflict Location and Event Data), que compila incidentes noticiados pela imprensa, os confrontos deixaram ao todo 100.114 mortos. A organização identificou mais de 1.200 grupos armados distintos nesta guerra civil, que qualificou como o "conflito mais fragmentado do mundo"[2][5].

As Nações Unidas relatam que mais de 3,7 milhões de pessoas tiveram de abandonar seus lares e vivem como deslocadas dentro do país; e mais de uma em cada cinco sofre de insegurança alimentar. Desde o golpe, mais de 230 mil pessoas foram forçadas a se deslocarem inicialmente, levando o número de deslocados internos para mais de meio milhão, mas o número atual é muito superior[1][2].

"É uma dor sem fim", declarou Thein Aye Nu, de 49 anos, cujo marido morreu em junho em um bombardeio aéreo. "Estou muito revoltada, mas já nem sei mais com quem"[2]. Outro cidadão, de Magway, lamentou: "Se não houvesse um golpe de Estado, as crianças estariam na escola"[2]. Seu filho adolescente morreu recentemente em combate depois de fugir de casa para se juntar aos rebeldes.

O líder dos golpistas, Min Aung Hlaing, foi nomeado presidente recentemente em eleições que, internacionalmente, foram consideradas uma manobra para manter o regime militar no poder. O Estado-Maior instaurou em fevereiro de 2024 o serviço militar obrigatório, recrutando à força cerca de 50.000 civis para reforçar suas fileiras[2].

"É como se simplesmente estivessem mandando essas pessoas para a morte", disse um homem de 20 anos, que desertou depois de seis meses na linha de frente[2]. A guerra afetou indiretamente países vizinhos, para onde fugiram muitos refugiados, que vivem sobretudo em campos na Tailândia e em Bangladesh[2].

Alguns observadores destacam que muitos dos grupos armados financiam o esforço de guerra com o tráfico de drogas, como heroína e metanfetaminas. Além disso, nas zonas fronteiriças proliferaram os centros de golpes digitais, que operam em complexos vigiados por milícias[2].

Em Yangon, a maior cidade de Mianmar, vive-se com relativa normalidade, mas às vezes ocorrem assassinatos esporádicos. Outras regiões são frequentemente bombardeadas por aviões militares fornecidos pela Rússia e pela China[2].

Fonte: Carta Capital – Mundo.