Ex-ministro defendeu atuação autônoma da Polícia Federal em casos de corrupção e admitiu impacto de apurações em sua campanha ao governo de São Paulo.
O ex-ministro Fernando Haddad (PT), candidato ao governo de São Paulo, posicionou-se favorável a uma atuação completamente independente da Polícia Federal (PF). A declaração foi feita nesta quarta-feira, em meio ao inquérito que investiga indícios de corrupção e tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Durante uma sabatina realizada em São Paulo, o petista foi enfático ao afirmar que a lei deve ser aplicada a todos, sem distinção. Ele destacou a importância de “passar a régua” em qualquer pessoa que tenha cometido um erro, independentemente de filiação partidária, religião ou time de futebol.
As investigações sobre Lulinha ganharam destaque após mensagens interceptadas pela PF, e obtidas pela coluna Tácio Lorran do Metrópoles, indicarem que o filho do presidente mantinha encontros com figuras do núcleo duro do Palácio do Planalto. Essas mensagens também mostram Lulinha orientando negócios da lobista Roberta Luchsinger, contratada por empresários em busca de influência e contratos.
Haddad defende autonomia da Polícia Federal em investigação
Questionado sobre as investigações envolvendo Lulinha e sua relação com o presidente Lula, Fernando Haddad garantiu que o presidente “não passa pano para ninguém”. O ex-ministro assegurou que as autoridades possuem total liberdade para apurar quaisquer suspeitas.
“Eu sou a favor de passar a régua em quem quer que seja. Porque, assim, tem uma lei, ela tem que ser respeitada. A pessoa errou. Eu não quero saber o partido, a religião, o time de futebol, paga”, afirmou Haddad, reforçando seu compromisso com a legalidade.
Haddad também ressaltou que nunca viu o presidente Lula interferir em investigações. “Pode ser amigo, filho, parente, nunca vi o presidente Lula mexer um dedo, falar uma coisa que disseram: ‘Olha, não vamos mexer’. Nunca vi. A Polícia Federal 100% de liberdade sempre, o Ministério Público 100% de liberdade sempre, o discurso dele público sempre. Eu não vou passar pano para ninguém, quem tiver que responder, responda. Eu respondo pelos meus atos, cada um responde pelo seu lado”, declarou.
Impacto das apurações na campanha eleitoral
Em entrevista à imprensa após a sabatina, o candidato do PT admitiu que qualquer apuração pode ter impacto na campanha eleitoral. Ele citou outros casos relevantes, como o Caso Master, que envolveu ministros do governo Bolsonaro, o presidente do Banco Central, e “corruptos do Banco Central que foram pegos pela polícia”.
Haddad também mencionou a investigação da Polícia Civil sobre o contrato de Wi-Fi na Prefeitura de São Paulo. “Toda apuração tem impacto. [...] Tem impacto? Tem. Mas eu tenho 26 anos de vida pública. Estou aqui muito tranquilo defendendo uma candidatura e propostas para o governo do Estado, e defendo que qualquer autoridade tenha liberdade de investigar e eventualmente denunciar uma pessoa que não respeita [a lei]”, completou.
Questionamentos sobre aliados e casos de corrupção
O ex-ministro também foi questionado sobre o envolvimento do vereador do PT em São Paulo, Senival Moura. Moura foi preso em junho deste ano, durante a operação Última Parada, do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), da Polícia Civil. Ele é suspeito de ser o “dono oculto” da empresa de transporte público Transunião e de atuar na lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Haddad afirmou conhecer Moura de seu tempo como prefeito, quando ele era vereador, mas negou ter uma relação próxima. “Ele tem que responder como qualquer pessoa”, disse o petista. Ele ainda comparou o caso ao de Ney Santos, do Republicanos, que tirou foto com o governador Tarcísio de Freitas e estaria “até o pescoço envolvido em questões, no mínimo, semelhantes”.
Verbas federais para São Paulo e o reconhecimento de Tarcísio
Ainda durante a sabatina, Haddad destacou que o governo Lula foi um dos que mais liberaram recursos para o governo de São Paulo e para a Prefeitura. Ele criticou o fato de, segundo ele, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), seu adversário na disputa, só ter começado a agradecer o presidente recentemente.
“Eu não tenho o menor problema. Eu fui o ministro da Fazenda que mais liberou recursos para a Prefeitura de São Paulo, agora, e também para o governo do Estado”, afirmou Haddad. Ele concluiu: “Só ontem que eu vi o Tarcísio começar a agradecer o Lula. Mas o dinheiro [da obra] é todo de lá, daqui a pouco ele vai contar a verdade toda. Por enquanto ele está escamoteando, nunca teve tanto apoio para obras estruturais em São Paulo”.
Perguntas Frequentes
Quem é Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha?
Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, é o filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele é alvo de um inquérito da Polícia Federal que investiga indícios de corrupção e tráfico de influência, com base em mensagens interceptadas que sugerem encontros com figuras do governo e orientação de negócios para uma lobista.
O que é o "Caso Master" mencionado por Haddad?
O "Caso Master" é uma referência a uma investigação mencionada por Fernando Haddad sobre corrupção. O candidato o associa a ministros do governo Bolsonaro, ao presidente do Banco Central e a "corruptos do Banco Central" que foram alvo da polícia, utilizando-o como exemplo de apurações que geram impacto político.
Qual a postura de Fernando Haddad sobre investigações de corrupção?
Fernando Haddad defende a total independência da Polícia Federal e do Ministério Público em investigações de corrupção. Ele reiterou que a lei deve ser aplicada a todos, sem distinção de partido, religião ou parentesco, e que qualquer pessoa que cometa erros deve responder pelos seus atos.
Como Haddad se posiciona sobre o vereador Senival Moura?
Haddad reconhece o vereador Senival Moura por seu período na prefeitura de São Paulo, mas afirma não ter relação próxima com ele. O ex-ministro declara que Moura, suspeito de envolvimento com o PCC e lavagem de dinheiro, deve responder como qualquer outra pessoa, defendendo que a lei seja cumprida.
