O jeito como os seres humanos riem pode ter surgido muito antes do que se imaginava. Um estudo recente da Universidade de Warwick, no Reino Unido, sugere que a estrutura básica da risada já existia há pelo menos 15 milhões de anos, antes mesmo da separação evolutiva entre humanos e os grandes primatas, como chimpanzés, bonobos, gorilas e orangotangos.
A pesquisa, publicada na revista Communications Biology, comparou gravações de risadas de 140 sequências de diferentes espécies e descobriu que todas compartilham um mesmo padrão rítmico. Isso indica que a característica já estava presente no ancestral comum dos primatas e foi preservada ao longo da evolução, tornando a risada uma ferramenta importante para compreender a evolução da comunicação humana[1][2].
Como o estudo foi feito
A equipe analisou 140 sequências de risadas registradas em quatro orangotangos, dois gorilas, três bonobos, quatro chimpanzés e quatro seres humanos. Os cientistas observaram que, em todas as espécies, os sons da risada eram emitidos em intervalos regulares, formando um ritmo semelhante. Para os autores, esse padrão permaneceu praticamente inalterado ao longo de milhões de anos[2].
Uma diferença crucial identificada é que, enquanto os humanos só riem quando expelindo o ar, os outros primatas também riem quando inalando, e suas cordas vocais vibram de forma mais irregular, produzindo sons mais "barulhentos" em comparação com os sons mais harmoniosos dos humanos[1].
O que mudou nos humanos
Embora a estrutura básica tenha sido preservada, os pesquisadores identificaram diferenças importantes na forma como os humanos riem. Segundo o estudo, a risada humana é mais rápida, mais variável e pode ser controlada de acordo com a situação. Uma pessoa pode rir por nervosismo, educação, diversão ou por causa de cócegas, ajustando a vocalização conforme o contexto[2].
Os pesquisadores acreditam que esse controle mais refinado das vocalizações pode ter sido um passo importante no desenvolvimento da fala. Como a fala não deixa registros fósseis, reconstruir sua evolução é um desafio. Nesse contexto, o riso pode oferecer pistas importantes, já que está presente em humanos e em todos os grandes primatas vivos[2].
Pistas sobre a origem da linguagem
Os resultados sugerem que o controle da voz não surgiu de forma repentina nos seres humanos. Em vez disso, a habilidade pode ter evoluído gradualmente ao longo de milhões de anos, até tornar possível o desenvolvimento da linguagem. Embora o estudo não explique exatamente como a fala surgiu, ele reforça a ideia de que parte das capacidades vocais humanas tem raízes muito mais antigas do que se imaginava[2].
Fonte original: Metrópoles – Ciência.
