O melanoma, a forma mais agressiva de câncer de pele, pode ter uma nova alternativa de tratamento graças a um pequeno invertebrado que vive nas águas geladas da Antártida. Cientistas da Universidade do Sul da Flórida (USF), nos Estados Unidos, identificaram que uma bactéria associada a esse organismo produz uma substância capaz de destruir células do tumor em estudos com camundongos, sem causar danos aos animais [1].
A toxina, chamada de palmerolide A, é produzida naturalmente por uma bactéria presente na ascídia da espécie Synoicum adareanum, um animal invertebrado que, na natureza, utiliza essa substância para se proteger contra predadores [3]. Em testes com ratos, os pesquisadores reaproveitaram a substância e observaram que ela foi capaz de impedir o crescimento do melanoma, eliminando as células cancerígenas sem afetar as células humanas saudáveis [1][2].
“A boa notícia é que ela não matou os ratos e eliminou o câncer deles. Então sabemos que a substância tem propriedades fisiológicas para agir como um medicamento”, afirmou o professor de química Bill Baker, da USF, em entrevista ao portal britânico The Guardian [1]. Recentemente, os pesquisadores realizaram uma expedição de seis semanas à Antártida para coletar amostras adicionais da ascídia na região remota, com o objetivo de ampliar os testes em outros modelos animais [1][7].
O próximo passo será confirmar a segurança e a eficácia do composto antes de qualquer estudo clínico com seres humanos. Apesar dos resultados animadores, os especialistas avaliam que ainda há um longo caminho a percorrer antes que um remédio capaz de ajudar no tratamento de melanoma seja aprovado para o uso em humanos [1].
Fonte original: Metrópoles – Ciência.
