O Irã **negou formalmente** ter aceitado inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em suas instalações nucleares, contradizendo diretamente declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que alegou ter sido firmado um acordo integral para vistorias de alto nível por período indefinido[2][3].
Esmaeil Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, afirmou nesta terça-feira (23/6) que **não houve qualquer reunião** com o diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, na Suíça, e que o país **não tem plano para que a agência inspecione** instalações nucleares danificadas pela agressão militar[3]. "Não existe nenhum protocolo a este respeito. Continuaremos com os nossos procedimentos existentes com base no Tratado de Não Proliferação Nuclear", disse Baghaei[3].
Em contrapartida, Trump publicou nas redes sociais que "o Irã concordou integralmente com inspeções nucleares de alto nível por um longo período (infinito!)" e ameaçou encerrar as negociações se o acordo não fosse mantido[2]. O vice-presidente americano, JD Vance, havia afirmado na segunda-feira (22/6) que as autoridades iranianas haviam concordado com as inspeções da AIEA após negociações na Suíça[2][3].
Rafael Grossi, diretor-geral da AIEA, disse nesta quarta-feira (24) que o acordo "estabelece explicitamente que as atividades nucleares serão supervisionadas pela AIEA — sem deixar margem para dúvidas" e que as inspeções **vão acontecer**, embora o momento exato ainda não seja essencial[1]. Pouco após as declarações de Grossi, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, **reafirmou que não há qualquer acordo** para permitir a entrada de inspetores da AIEA[1].
O programa nuclear iraniano continua sendo uma das **principais divergências** entre os dois países. Enquanto os EUA exigem que o Irã abandone qualquer pretensão de armas nucleares, o país iraniano afirma que seu programa tem **fins civis** e é signatário do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP)[3]. Desde 2025, o Irã não permite mais inspeções da AIEA após ataques dos EUA e Israel em instalações nucleares persas[3].
Baghaei também comentou sobre a **suspensão de sanções** dos EUA ao Irã, afirmando que as obrigações americanas incluem suspender sanções primárias, secundárias e do Conselho de Segurança da ONU[3]. O Tesouro americano emitiu uma licença de 60 dias para permitir o comércio de petróleo iraniano, mas Trump afirmou que todo dinheiro liberado será depositado em conta controlada pelos EUA e usado exclusivamente para compra de produtos americanos, como alimentos e suprimentos médicos[3].
O parlamento iraniano votou na quarta-feira (25) pela **suspensão da cooperação** com o órgão de vigilância nuclear da ONU, medida que ainda precisa de aprovação final do Conselho Supremo de Segurança Nacional[5]. Grossi enfatizou que a presença da agência no Irã é uma **responsabilidade internacional** e obrigação legal que não pode ser suspunida unilateralmente[5].
