Irã e Estados Unidos concordaram com a criação de um mecanismo diplomático para garantir o encerramento das operações militares no Líbano, informou mediadores do Paquistão e do Catar nesta segunda-feira, 22 de junho. O anúncio ocorre em um contexto de tensão elevada, após o presidente americano Donald Trump ameaçar o Irã nas redes sociais por seu apoio ao grupo xiita Hezbollah, que atua no país vizinho[1].

O alerta de Trump provocou um aumento das tensões bilaterais enquanto o vice-presidente americano JD Vance se encontrava na Suíça para conversas com representantes iranianos, no domingo, 21[1]. A Casa Branca inicialmente pretendia que as discussões focassem no programa nuclear do Irã, mas o foco foi desviado para os combates entre o Hezbollah e Israel, que colocaram em risco o acordo de paz assinado por Trump na semana passada[1].

De acordo com o vice-secretário de Comunicação do Irã, Seyed Mehdi Tabatabaie, o acordo de paz entre os dois países não poderá ser implementado se a guerra no Líbano não termine, afirmando que a continuação dos "crimes do regime sionista" no território libanês levaria à invalidação de todo o acordo[1]. O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Baghaei, afirmou que a questão das violações do acordo inicial será levantada durante as negociações[1].

Catar e Paquistão também confirmaram que foi estabelecido um canal de comunicação direto entre Irã e Estados Unidos para evitar incidentes e permitir a passagem segura de embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz[1]. As conversas técnicas continuarão pelo restante da semana no resort de Bürgenstock, em Washington, para tratar de todos os temas pendentes[1].

Israel e o Líbano retomaram negociações em Washington nesta terça-feira, 23, mesmo com o cenário de ofuscação causado pela decisão do Irã de incluir o Líbano em suas negociações com os EUA[4]. O governo israelense afirmou que retirar parte dos seus soldados do sul do Líbano como gesto para facilitar as conversas, mas recusou a retirada total[4]. O Hezbollah, apoiado pelo Irã, considera o acordo preliminar entre EUA e Irã uma "grande vitória