Justiça do Distrito Federal sentencia homem por série de ataques incendiários motivados por vingança após disputa trabalhista, culminando em tentativa de homicídio.
Iran Mendonça Junior foi condenado a seis anos, dois meses e três dias de prisão por jogar coquetéis molotov contra a casa de seu ex-funcionário, Adailton Barbosa Diniz. Os crimes ocorreram entre junho e julho de 2025, no Condomínio Residencial Mansões Paraíso, localizado no Gama, Distrito Federal.
A condenação, proferida nesta quarta-feira (1°/7) pelo Tribunal do Júri do Gama, também impôs a Iran o pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 4 mil. O acusado está preso desde julho do ano passado, aguardando o desfecho judicial de seus atos.
De acordo com a denúncia do Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT), os crimes foram motivados por vingança e hostilidade, resultado de uma disputa trabalhista. Iran Mendonça Junior foi condenado pelo uso de artefatos incendiários, conforme informação divulgada por CIDADE.
A Vingança por Disputa Trabalhista no Gama
A origem dos ataques remonta a uma desavença trabalhista entre Iran Mendonça Junior e Adailton Barbosa Diniz. A vítima, Adailton, havia sido funcionário de um lava-jato de propriedade da mãe de Iran. Ao rescindir seu contrato, Adailton constatou que recebeu menos do que lhe era devido e, consequentemente, ingressou com uma ação na Justiça do Trabalho.
O processo judicial resultou no bloqueio de bens e na suspensão do CNPJ da antiga empregadora. Em resposta, Iran Mendonça Junior iniciou uma série de perseguições e ameaças, prometendo que “mandaria a vítima para o inferno” e que a impediria de receber qualquer valor referente à ação trabalhista.
A Cronologia dos Ataques Incendiários Noturnos
A denúncia do MPDFT narra um total de quatro ataques com artefatos incendiários, todos jogados por cima do muro da residência de Adailton Barbosa Diniz. Os atos foram perpetrados durante o repouso noturno ou nas primeiras horas da manhã, colocando em risco a vida dos moradores. Confira a cronologia dos fatos:
- 16 de junho de 2025 (05h58): O primeiro artefato foi lançado, atingindo o carro da vítima na garagem. O fogo foi contido pelo filho de Adailton.
- 24 de junho de 2025 (06h40): O segundo ataque foi arremessado contra o lote, sem maiores detalhes sobre danos.
- 2 de julho de 2025 (03h10 às 03h30): O terceiro ataque, com substância inflamável, foi o único a resultar em condenação por tentativa de homicídio.
- 5 de julho de 2025 (05h23 às 06h32): O quarto artefato atingiu o telhado da garagem, mas a garrafa de gasolina não quebrou, evitando que o fogo se alastrasse.
O Julgamento e a Condenação Parcial por Tentativa de Homicídio
Durante o julgamento no Tribunal do Júri do Gama, a defesa de Iran Mendonça Junior, conduzida pelo advogado Norberto Soares Neto, argumentou que o réu não tinha a intenção de matar. A tese sustentava que o objetivo era apenas causar prejuízo patrimonial ao veículo do ex-funcionário Adailton Barbosa Diniz.
Os jurados acolheram parcialmente a tese defensiva. Iran Mendonça Junior foi absolvido do segundo ataque. Em relação ao primeiro e ao quarto episódios, o júri entendeu que houve desclassificação, reconhecendo que não havia intenção de matar. Contudo, no que diz respeito ao terceiro ataque, os jurados mantiveram a condenação por tentativa de homicídio, qualificada pelo emprego de fogo e perigo comum, visto que o local era um lote multifamiliar e o ato colocou em risco diversos moradores.
Sentença e Indenização à Vítima Adailton Diniz
A juíza Maura de Nazareth aplicou o princípio da continuidade delitiva (Artigo 71 do Código Penal) na sentença, considerando que os crimes eram da mesma espécie e foram praticados em condições de tempo e lugar semelhantes. A magistrada fixou o regime inicial fechado para o cumprimento da pena, negando o direito de recorrer em liberdade e reforçando a necessidade da execução provisória.
A reincidência de Iran Mendonça Junior também pesou na fixação do regime mais severo. A indenização de R$ 4 mil por danos morais foi estipulada com base no caráter pedagógico e compensatório da medida, considerando o severo abalo psicológico e o risco à vida imposto à vítima e aos seus familiares devido aos múltiplos atentados. Sobre esse montante, ainda incidirão juros e correção monetária. Os pedidos por danos materiais foram julgados prejudicados na esfera penal por falta de comprovação de lucros cessantes nos autos. A defesa de Iran foi procurada para comentar, mas não houve retorno até o momento da publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.
Perguntas Frequentes
Quem foi condenado e qual a pena imposta?
Iran Mendonça Junior foi condenado a seis anos, dois meses e três dias de prisão. A pena foi imposta pelo Tribunal do Júri do Gama, Distrito Federal, devido a ataques com coquetéis molotov contra a casa de um ex-funcionário.
Qual foi a motivação dos ataques com coquetel molotov?
Os ataques foram motivados por vingança e hostilidade, após uma disputa trabalhista. A vítima, Adailton Barbosa Diniz, havia processado a mãe de Iran por direitos trabalhistas não pagos, resultando no bloqueio de bens da empresa.
Onde ocorreram os crimes de Iran Mendonça Junior?
Os crimes ocorreram na residência de Adailton Barbosa Diniz, localizada no Condomínio Residencial Mansões Paraíso, na região do Gama, Distrito Federal.
Por que Iran Mendonça Junior foi condenado por tentativa de homicídio?
Iran Mendonça Junior foi condenado por tentativa de homicídio apenas no terceiro ataque, pois os jurados entenderam que o ato, com substância inflamável, colocou em risco diversos moradores de um lote multifamiliar, sendo qualificado pelo emprego de fogo e perigo comum.
