O governo da Itália reagiu com profunda indignação nesta sexta-feira, 19 de junho, às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a primeira-ministra Giorgia Meloni, levando a Chancelaria italiana a cancelar uma visita planejada a Washington. Em uma entrevista à emissora italiana La7, Trump afirmou que Meloni havia "implorado" para tirar uma foto com ele durante a cúpula do G7 na França, alegando ainda que "não era obrigado a falar com ela" e que "sentiu pena dela" [1][2].

Em resposta, Giorgia Meloni divulgou um vídeo no X (antigo Twitter) em que se declarou "consternada" e classificou as declarações de Trump como "totalmente inventadas". A líder italiana reforçou: "Nem eu nem a Itália jamais imploramos" e questionou o comportamento de Trump com seus aliados, lembrando que "não é a primeira vez" que isso ocorre [1][3]. Ela também criticou a falta de determinação do presidente americano em relação aos inimigos do Ocidente, enquanto ele trata líderes desses países com "muita mais complacência" [2].

O ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, anunciou o cancelamento de sua visita aos EUA, prevista para 21 e 22 de junho, após as "declarações graves e ofensivas" de Trump [1][3]. Outros ministros italianos também reagiram: Carlo Nordio, da Justiça, descreveu as falas como uma "ferida dolorosa" nas relações entre os dois países, enquanto Guido Crosetto, da Defesa, afirmou que "essas brincadeiras não fazem bem a ninguém" [1].

Em abril, Trump já havia criticado Meloni por sua recusa a envolver a Itália em uma guerra no Irã, dizendo que ficou "surpreso" e "decepcionado" com sua falta de "coragem" [1]. Antes disso, Meloni era considerada uma das aliadas mais próximas de Trump na Europa, atuando frequentemente como mediadora entre posições divergentes dos EUA e da União Europeia [1]. A polêmica reacendeu a disputa diplomática entre os dois líderes, com Trump insistindo que Meloni queria "reaproximar-se para melhorar seus números" de popularidade [3].

Giorgia Meloni, eleita em outubro de 2022 para chefiar um governo de coalizão ultraconservador, mantém sua postura de que a Itália não implora por nada, reforçando a independência do país em suas relações internacionais [1][4].