O Itamaraty afirmou que acompanha a situação de Herik Ferreira Soares, um brasileiro de 23 anos capturado por forças russas durante a guerra na Ucrânia. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a Embaixada do Brasil em Moscou mantém contato com a família do jovem, presta assistência consular e busca “informações adicionais” com as autoridades locais russas[2].

Herik, natural de Castanhal (PA), gravou um vídeo em território russo que ganhou grande repercussão nas redes sociais no último fim de semana[2][3]. Na gravação, ele afirma ter sido enganado por uma suposta oferta de trabalho: acreditava que atuaria em função de apoio na retaguarda, mas foi enviado para a linha de frente, onde enfrentou confrontos intensos[2]. “Eles mentiram para mim e me enviaram para a linha de frente, para um confronto intenso. Não era isso que tinham prometido. Meu serviço não era de combatente”, declarou[2].

Herik também pede desculpas à família, especialmente à mãe, por não ter ouvido os conselhos e por ter voltado à Ucrânia após um período no Brasil[2]. Ele alerta brasileiros a não se alistarem no conflito em busca de ganhos financeiros, afirmando que a promessa de dinheiro não compensa os riscos da guerra nem o sofrimento imposto às famílias[2].

Em um alerta divulgado em julho de 2025, o Ministério das Relações Exteriores recomendou fortemente que convites ou ofertas de trabalho para participar de exércitos estrangeiros durante guerras sejam recusados[2]. O caso de Herik ecoa o de outro brasileiro, Rafael Lusvarghi, que foi condenado a 13 anos de prisão na Ucrânia por ações na guerra no leste do país, antes de ser libertado em 2019 em troca de prisioneiros[1].

O vídeo de Herik também menciona que estrangeiros, incluindo brasileiros, colombianos, peruanos e argentinos, seriam tratados como “descartáveis” e utilizados para suprir as necessidades das tropas ucranianas[2]. Durante a gravação, ele agradece aos militares russos por supostamente oferecerem “assistência médica humanitária”[2].