O senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo no Congresso, classificou como “patacoada” a divulgação pela Polícia Federal (PF) de uma foto contendo cédulas de moeda estrangeira apreendidas em seu apartamento em Brasília. Wagner admitiu que reclamou diretamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a ação, alegando que a divulgação violou a orientação do ministro André Mendonça, relator do Caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou apreensões “de forma discreta” devido ao caráter sigiloso da investigação[1][3].

A denúncia ocorreu no contexto da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF em 18 de junho, que investiga a suposta atuação do senador em defesa dos interesses do Banco Master no Congresso em troca de vantagens indevidas. Segundo a PF, Wagner teria recebido um apartamento de luxo em Salvador (avaliado em R$ 2,45 milhões) e repasses milionários para uma empresa de sua nora, além de 49 mil dólares encontrados em sua residência, para favorecer projetos do banqueiro Daniel Vorcaro, como a “Emenda Master” e a ampliação do crédito consignado[1][2][5].

Na entrevista, Wagner afirmou que os valores pagos pelo Banco Master para a empresa de sua nora são superiores aos R$ 3,5 milhões divulgados, mas garantiu que o dinheiro tem origem legal. O senador também pediu ao STF a anulação total da operação, alegando “erros graves” na execução dos mandados[3][7].

Em consequência dos fatos, Jaques Wagner deixou o cargo de líder do governo na Casa na quarta-feira (24/6), após conversa com Lula no Palácio da Alvorada. A saída foi de “comum acordo”, e no lugar assumiu a senadora Teresa Leitão (PT-PE). Wagner declarou nas redes sociais: “Neste momento, minha prioridade absoluta é provar minha inocência e me dedicar à reeleição do presidente Lula, do governador Jerônimo Rodrigues e à minha própria reeleição ao Senado”[1][5].

Fonte: Metrópoles – Brasil.