O senador Jaques Wagner (PT-BA) anunciou oficialmente nesta quarta-feira (24) sua saída da liderança do governo no Senado Federal. A decisão, conforme ele informou em nota publicada nas redes sociais, foi tomada em comum acordo com o presidente Lula da Silva, após uma reunião de cerca de duas horas no Palácio da Alvorada.
Em seu comunicado, Wagner afirmou que, neste momento, sua prioridade absoluta é provar sua inocência e dedicar-se à campanha de reeleição do presidente Lula, do governador baiano Jerônimo Rodrigues e à sua própria reeleição para o Senado, em parceria com Rui Costa. Ele reforçou que a decisão foi fruto de uma conversa entre amigos e que renovará o compromisso com o projeto coletivo que transforma a Bahia e o Brasil.
A saída do cargo ocorre em meio à escalada da crise provocada pela Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras ligado ao Banco Master. Na última quinta-feira (18), agentes da PF realizaram buscas e apreensões nas residências de Wagner em Brasília e Salvador. A Polícia Federal aponta o senador como suposto beneficiário central das vantagens econômicas investigadas, alegando que ele recebeu pagamentos e benefícios em troca de apoio a medidas no Congresso que favoreceriam o Banco Master, como a chamada "Emenda Master".
As suspeitas também envolvem a compra de um apartamento de luxo em Salvador e repasses de R$ 3,5 milhões em nome de familiares do parlamentar. Wagner, no entanto, nega qualquer irregularidade e afirmou estar "absolutamente tranquilo" em relação à investigação. Aliados próximos do senador, inclusive do PT e do Palácio do Planalto, passaram a defender que a saída do cargo era a alternativa menos danosa para o governo e para a campanha de reeleição de Lula.
Com a decisão, Wagner deixa o cargo de líder do governo no Senado, assumindo que sua atuação agora será focada em sua defesa e nas campanhas políticas, enquanto aguarda os desdobramentos da operação da Polícia Federal.
