Entenda por que o senador do PT Jaques Wagner procurou o ministro relator do caso Banco Master no STF, André Mendonça, às vésperas de uma grande operação da Polícia Federal.
O senador Jaques Wagner (PT-BA) realizou uma audiência com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça cerca de uma semana antes de ser alvo de uma operação da Polícia Federal (PF). O encontro, que ocorreu com o pedido de busca e apreensão já em trâmite no Supremo, tinha como objetivo que o parlamentar explicasse sua relação com os empresários Augusto Lima e Daniel Vorcaro, ligados ao Banco Master.
A operação da PF, concretizada em 18 de junho, resultou em buscas na residência de Wagner em Salvador e em seu hotel em Brasília. Durante a ação, foram apreendidos US$ 55 mil e 33 mil euros, além de documentos e seu telefone celular. O senador negou irregularidades, afirmando que o dinheiro correspondia a diárias de viagens internacionais acumuladas.
A iniciativa do senador de buscar o relator do caso, André Mendonça, quando a ofensiva policial já estava em fase final de preparação, gerou estranhamento entre os investigadores, conforme informação divulgada por Revista Oeste – Política.
A agenda secreta e o estranhamento dos investigadores
A audiência de Jaques Wagner com o ministro André Mendonça ocorreu em um momento crítico. A representação da PF solicitando a autorização para as buscas já havia sido assinada em 10 de junho, dias antes da operação. Na ocasião, Wagner alegou que não havia ilegalidades em sua relação pessoal com os empresários, nem nos contratos firmados por sua nora, Bonnie de Bonilha, com empresas ligadas ao ecossistema de Vorcaro.
Ele também apresentou sua versão sobre a implementação do Credcesta na Bahia, modalidade de crédito consignado operada pelo Banco Master. Curiosamente, um dia antes, em 9 de junho, um vídeo mostrou Wagner conversando reservadamente com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, nos bastidores de um evento no Palácio do Planalto, cujo conteúdo não foi revelado por nenhum dos envolvidos.
Conexões com o Banco Master e empresários investigados
Na decisão que autorizou a operação, André Mendonça destacou o papel de Augusto Lima como “canal de interlocução” entre Daniel Vorcaro e Jaques Wagner em assuntos estratégicos para o Banco Master. Entre os temas, estavam o rating da instituição, sua estrutura acionária, a CPI do Banco Master e a tentativa de venda do banco ao Banco Regional de Brasília, que foi barrada pelo Banco Central.
A Polícia Federal aponta que a relação entre Wagner e Augusto Lima era de “elevado grau de confiança pessoal”, o que, em tese, teria criado um ambiente propício para tratativas reservadas em prol dos interesses privados do Banco Master. A investigação também resgata episódios de 2018, quando Lima articulou com Wagner, então secretário da Fazenda da Bahia, a privatização da Empresa Baiana de Alimentos, dando origem ao Credcesta.
Bens e benefícios sob escrutínio da Polícia Federal
A investigação da PF sugere que Jaques Wagner pode ter recebido pagamentos do Banco Master por meio da empresa de sua nora. Além disso, o senador teria utilizado com frequência aeronaves particulares de Daniel Vorcaro e recebido de Augusto Lima um apartamento em Salvador, avaliado em R$ 2,45 milhões. Após a operação, Wagner admitiu que Lima adquiriu o imóvel, mas afirmou que seria para sua filha e que pretendia ressarcir o empresário no futuro.
Sobre o dinheiro apreendido, Wagner explicou à Folha de S.Paulo que eram diárias acumuladas de viagens. No entanto, a investigação aponta que não foram encontrados envelopes do Senado nos locais vistoriados, e a quantia supera o total de diárias que o senador teria recebido desde 2019. A PF também encontrou indícios de que Lima presenteou familiares de Wagner com ingressos para shows da cantora Taylor Swift, um gasto que, em uma das ocasiões, custou R$ 63,3 mil. Wagner minimizou o episódio dos ingressos, afirmando que se Lima o “comprou” por isso, “se enganou do freguês”.
Críticas à condução da operação e a saída da liderança
Jaques Wagner criticou a condução da operação policial, classificando a ação como uma “patacoada” e acusando a PF de “espetacularização” da investigação. Ele se referiu à divulgação de fotografias do dinheiro e dos relógios apreendidos durante o cumprimento dos mandados. Uma semana após as buscas, o senador deixou a liderança do governo no Senado, em uma decisão tomada após uma conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Perguntas Frequentes
O que motivou a operação da PF contra Jaques Wagner?
A operação da Polícia Federal foi motivada por uma investigação sobre a relação do senador Jaques Wagner com os empresários Augusto Lima e Daniel Vorcaro, ligados ao Banco Master, e possíveis irregularidades em contratos e benefícios recebidos.
Quem são Augusto Lima e Daniel Vorcaro?
Augusto Lima é um empresário apontado como “canal de interlocução” entre o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o senador Jaques Wagner, em assuntos estratégicos para o banco.
Qual a relação de Jaques Wagner com o Banco Master?
A PF investiga a relação de Jaques Wagner com o Banco Master por meio de Augusto Lima, envolvendo temas estratégicos do banco, além de indícios de pagamentos à empresa de sua nora, uso de aeronaves e recebimento de bens como um apartamento e ingressos para shows.
O que foi apreendido na residência de Jaques Wagner?
Durante a operação da PF, foram apreendidos na residência e no hotel do senador Jaques Wagner US$ 55 mil e 33 mil euros em dinheiro, além de documentos e seu telefone celular.
Jaques Wagner comentou as acusações?
Sim, Jaques Wagner negou irregularidades, afirmando que o dinheiro apreendido era referente a diárias de viagens e que o apartamento seria para sua filha, com intenção de ressarcir o empresário. Ele também criticou a operação da PF como “espetacularização”.
