O senador Jaques Wagner (PT-BA) pediu licença do cargo de líder do governo no Senado, afastando-se temporariamente da função após ser incluído como alvo na 9ª fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal (PF). A decisão foi anunciada na quarta-feira (24), após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio da Alvorada[1][2].

Segundo apuração do jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, a cúpula do PT convenceu o parlamentar a deixar o posto durante reuniões no fim de semana, visando conter o desgaste eleitoral contra o presidente Lula[1]. Wagner declarou que sua prioridade absoluta é provar sua inocência na Justiça e se dedicar à reeleição do presidente Lula e do governador Jerônimo Rodrigues[8].

A operação da PF investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, com suspeitas de que Wagner recebeu vantagens financeiras e "mimos de luxo" bancados por Augusto Ferreira Lima, operador financeiro do banco e ex-sócio de Daniel Vorcaro[1]. Relatórios enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF) detalham o recebimento de um apartamento de luxo em Salvador, de R$ 2,4 milhões, comprado por uma empresa de fachada chamada Epítome S.A. para ocultar o verdadeiro dono do patrimônio[1].

A investigação também obtive mensagens trocadas entre o senador e o operador do banco, nas quais Wagner enviou o contato de um gerente de construtora para que Augusto quitasse o imóvel[1]. Além disso, foram rastreados o uso gratuito de jatinhos particulares para viagens da família do político, repasses em dinheiro para firmas de familiares e ingressos para shows internacionais em Los Angeles[1].

O ministro André Mendonça autorizou as buscas na semana passada, e a PF já cumprido cinco mandados de prisão preventiva, duas prisões temporárias e 25 ordens de busca e apreensão[1]. Os bens apreendidos e bloqueados pela Justiça nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e no Distrito Federal somam mais de R$ 230 milhões[1].

Na quinta-feira (25), a senadora Teresa Leitão (PT-PE) foi designada para assumir o cargo deixado por Wagner, enquanto o Palácio do Planalto trata o afastamento como temporário[2][4]. A defesa do senador planeja alegar inocência fora do cargo para poupar o Planalto, repetindo o discurso-padrão logo que oficializar o afastamento[1].

Wagner nega ter cometido irregularidades e afirma que se desliga das funções de líder partidário para não atrapalhar a rotina do Palácio do Planalto[1]. A operação da PF contra os desvios no Banco Master começou em 2024 por ordem do Ministério Público Federal[1].