Quando a Seleção Brasileira entra em campo na Copa do Mundo, o Brasil praticamente “desliga”: o consumo de energia elétrica cai de forma vertiginosa. Na última quarta-feira (24), na partida contra a Escócia, no Hard Rock Stadium, em Miami (EUA), a demanda despencou 9.058 MW durante o primeiro tempo, volume equivalente à soma das cargas médias dos estados do Rio de Janeiro e do Pará[1].

Às 19h, horário de início do jogo, a demanda era de aproximadamente 90 mil MW. Até o fim do primeiro tempo, às 19h53, o consumo caiu drasticamente, registrando uma redução de até 14,4% em relação à carga de referência — percentual maior do que os verificados nos jogos contra o Haiti (9,6%) e o Marrocos (8,6%)[1].

No intervalo, por volta de 19h53, a demanda apresentou uma elevação abrupta de 5.632 MW em apenas 9 minutos, o maior valor de rampa de elevação de carga em intervalos de jogos do Brasil em relação às últimas três Copas do Mundo, equivalente à soma das cargas médias de Santa Catarina e Mato Grosso[1].

A oscilação começa antes mesmo do jogo: às 18h25, a carga estava em 98 mil MW e caiu 7 mil MW até o momento em que a bola rolou, redução equivalente à carga média de Minas Gerais[1]. Após o encerramento da partida, a demanda atingiu o menor nível de 78.236 MW às 20h59, três minutos antes do fim. Com a confirmação da classificação da Seleção como líder do Grupo C, o consumo elevou-se 8.546 MW em aproximadamente 18 minutos, volume equivalente à soma das cargas médias do Paraná e da Bahia[1].

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) montou uma operação especial durante a Copa para acompanhar as oscilações provocadas pela mobilização dos torcedores, identificando as chamadas “rampas de carga”[1]. O órgão é responsável pela coordenação das instalações de geração e transmissão no Sistema Interligado Nacional (SIN), determinando aumentos de produção ou interrupções de geração em momentos de excesso[1].

Segundo o diretor-geral do ONS, Marcio Rea, o monitoramento em tempo real evidencia como eventos de grande audiência impactam diretamente o consumo de energia elétrica no país, exigindo planejamento e resposta ágil da operação[1]. “Da sala de casa às festas de rua, todos estes comportamentos influenciam nossa operação”, afirma[1].

Na próxima segunda-feira, a Seleção enfrenta o Japão às 14h, em Houston (EUA), e o ONS já prepara o monitoramento para as novas oscilações esperadas[1].

Fonte: Agência Brasil - Economia.