John Bolton, ex-assessor de segurança nacional de Donald Trump e hoje um dos críticos mais ferrenhos do presidente americano, admitiu ter retido documentos secretos e se declarou culpado em um tribunal federal de Maryland. O diplomata de 77 anos concordou com um acordo judicial que prevê pena de prisão de não mais que cinco anos e uma multa de 2,25 milhões de dólares (equivalente a 11,6 milhões de reais).

Questionado pelo juiz Theodore Chuang sobre sua culpabilidade, Bolton respondeu: "Sim, vossa senhoria, e lamento". A Promotoria recomenda a pena mínima como parte do acordo, evitando os 18 acusações originalmente impostas contra ele em outubro de 2025, incluindo oito de transmissão e dez de retenção ilegal de informações de defesa nacional de alto sigilo.

As acusações alegam que Bolton usou conta de e-mail pessoal e aplicativo de mensagens para transmitir documentos classificados e manteve materiais secretos em sua residência em Maryland e escritório em Washington, D.C. Segundo a Justiça, ele compartilharia mais de 1.000 páginas de documentos com duas pessoas de seu entorno — provavelmente sua esposa e filha — sem permissão para acessar esse tipo de informação. O material foi posteriormente utilizado em um livro escrito por Bolton, no qual critica abertamente Trump e seu governo.

Bolton, que frequentemente aparece na mídia dos Estados Unidos tachando Trump de "inapto para ser presidente", tornou-se o terceiro crítico de longa data do presidente a enfrentar charges do Departamento de Justiça desde que o republicano voltou à Casa Branca em 2025. Se condenado por qualquer das acusações originais, ele poderia enfrentar até 10 anos de prisão por cada conta, sob a Lei de Espionagem de 1917.

Fonte original: Carta Capital – Mundo.