O julgamento dos três policiais militares acusados de participar da execução de Antônio Vinícius Lopes Gritzbach, delator do PCC, foi **anulado** na noite de segunda-feira (22/6), no Fórum Criminal de Guarulhos, após uma discussão entre defensores no plenário que levou o juiz a dissolver o conselho de sentença[4][7]. A sessão, que começou na manhã do mesmo dia com previsão de duração até sexta-feira (26/6), terá que ser reiniciada em nova data marcada pelo tribunal[1][2].

Durante o primeiro dia de julgamento, a viúva de **Celso Araújo Sampaio de Novais**, motorista de aplicativo que também foi atingido pelos disparos e morreu no dia seguinte, **Simone Dionísio Novais**, fez um depoimento emocionante em que relatou ter "**perdeu tudo**" com a morte do marido[1]. Os dois eram casados há mais de 20 anos e tiveram três filhos, de 22, 15 e 5 anos[1]. Simone contou que recebeu um vídeo do marido na ambulância, dizendo: "levei um tiro no aeroporto"[1].

"Meu filho de 15 anos é o que mais me preocupa. Ele já passou 4 dias na cama sem comer e só foi para escola porque eu conversei muito com ele. Ele não fala no assunto, sofre e me preocupa demais", disse Simone, que também afirmou que o filho mais velho de 22 anos não consegue trabalhar e o menor de 5 anos não esquece o pai[1]. Ela relatou estar há dois dias sem dormir e afastada do trabalho desde abril[1].

Gritzbach, empresário e réu por homicídio, foi executado a tiros de fuzil em 8 de novembro de 2024, no Terminal 2 do Aeroporto Internacional de Guarulhos, após voltar de viagem a Alagoas[1][2]. Ele havia assinado delação premiada com o Ministério Público, entregando nomes ligados ao PCC e acusando policiais de corrupção[2]. Segundo a acusação, o **cabo Denis Antônio Martins** e o **soldado Ruan Silva Rodrigues** seriam os atiradores que desceram de um Volkswagen Gol e fuzilaram Gritzbach, enquanto o **tenente Fernando Genauro da Silva** teria sido o motorista que levou os executores ao aeroporto e ajudou na fuga[1][2].

Os três PMs estão presos no Presídio Militar Romão Gomes e respondem por homicídio qualificado e tentativa de homicídio, além de serem acusados pela morte de Celso Novais e pelo ferimento de duas pessoas atingidas por estilhaços[2]. A acusação sustenta que o crime teve **motivo torpe**, colocou outras pessoas em risco, dificultou a defesa das vítimas e envolveu fuzis, armas de uso restrito[1].

Pouco antes do julgamento começar, o advogado dos suspeitos, **Renan Canto**, afirmou à imprensa que as provas contra os três PMs foram "forjadas e manipuladas para incriminar inocentes"[1]. No entanto, a investigação aponta que dados de GPS, imagens de câmeras, informações de celulares e exames de DNA colocaram os três na cena do crime[1].

O júri é composto por 4 homens e 3 mulheres[1]. Até o fim da manhã do primeiro dia, três testemunhas já foram ouvidas: William Souza Santos e Samara Lima, atingidos no dia da execução, e Simone Dionísio Novais[1].