Uma discussão acalorada entre acusação e defesa interrompeu, nesta segunda-feira (22/6), o julgamento dos três policiais militares acusados de executar Antônio Vinícius Lopes Gritzbach, delator do Primeiro Comando da Capital (PCC), morto a tiros no Aeroporto Internacional de Guarulhos em novembro de 2024[1][2]. O embate ocorreu durante o depoimento do perito Leandro Lopes, que analisava veículos e material genético relacionados ao caso, e envolveu o promotor Rodrigo Merli e os advogados Renan Pacheco Canto e Mauro Ribas Júnior[1].

O clima esquentou após o advogado Mauro Ribas Júnior interromper os trabalhos para criticar a postura do promotor, chamando-o de "cínico", "descortês" e "mal-educado"[1]. A reação imediata da defesa veio após Merli afirmar, em plenário, que "o senhor conversa com bandido, eu converso com policial", declaração que os advogados consideraram inadequada e desrespeitosa para profissionais da defesa criminal[1].

Com a intervenção do juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo, a ordem foi restabelecida e o depoimento do perito prosseguiu normalmente[1]. O julgamento, que começou no Fórum Criminal de Guarulhos com previsão de duração até sexta-feira (26/6), investiga se os réus — o tenente Fernando Genauro da Silva, o cabo Denis Antônio Martins e o soldado Ruan Silva Rodrigues — participaram de uma execução planejada por vingança e disputas financeiras ligadas à lavagem de dinheiro e criptomoedas da facção[1][3].

Segundo a acusação, Martins e Rodrigues seriam os atiradores que usaram fuzis para matar Gritzbach e o motorista de aplicativo Celso Novais, enquanto Genauro teria conduzido o veículo de fuga[1][3]. A defesa, por sua vez, alega que as provas foram "forjadas e manipuladas para incriminar inocentes", criticando a confiabilidade de dados de GPS, imagens e exames de DNA[1][2].

O júri popular é composto por quatro homens e três mulheres e deverá decidir sobre homicídio qualificado, duas tentativas de homicídio e a participação em empreitada criminosa ordenada por líderes do PCC[1][3].