Justiça italiana avalia segundo pedido de extradição de Carla Zambelli após condenação do STF

A Corte de Cassação da Itália, a mais alta instância do sistema judicial europeu, iniciou nesta quarta-feira, 1º de maio, a análise do segundo pedido de extradição apresentado pelo governo brasileiro contra a ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP).

Este novo pedido está diretamente relacionado à condenação da ex-parlamentar a cinco anos e três meses de reclusão pelos crimes de constrangimento ilegal e porte ilegal de arma de fogo. Os fatos ocorreram em outubro de 2022, às vésperas do segundo turno das eleições, quando Zambelli se desentendeu com o jornalista Luan Araújo no bairro dos Jardins, em São Paulo, e o perseguiu com uma pistola.

A condenação de Zambelli foi proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) em agosto do ano passado, por maioria de 9 votos a 2 no crime de porte e 10 votos a 1 no de constrangimento, conforme informação divulgada por POLÍTICA.

Detalhes da Condenação de Carla Zambelli no STF

O caso que levou à condenação da ex-deputada Carla Zambelli é amplamente conhecido. Às vésperas do segundo turno das eleições de 2022, em um ato político no bairro dos Jardins, em São Paulo, Zambelli se envolveu em um desentendimento com o jornalista Luan Araújo. A situação escalou quando ela o perseguiu pelas ruas, empunhando uma pistola, o que configurou os crimes de constrangimento ilegal e porte ilegal de arma de fogo.

A decisão do STF foi contundente, com 9 votos a 2 para o crime de porte ilegal e 10 votos a 1 para o de constrangimento. Essa condenação, com a pena de cinco anos e três meses de reclusão, formou a base para o atual processo de extradição solicitado pelo governo brasileiro à Itália.

Rejeição do Primeiro Pedido de Extradição e a Questão da Parcialidade

É importante contextualizar que este é o segundo pedido de extradição de Zambelli. Em maio do ano passado, a Justiça italiana havia rejeitado uma primeira solicitação, que se referia à invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Naquela ocasião, o tribunal de Roma apontou uma suposta parcialidade do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Brasil.

O entendimento italiano baseou-se no fato de que Moraes foi alvo de um mandado de prisão falso inserido fraudulentamente no sistema, o que, para a corte europeia, o colocava em uma "dupla veste", atuando simultaneamente como julgador e vítima da infração. Esse argumento foi crucial para a rejeição da primeira tentativa de extradição.

A Posição da AGU e a Garantia de Higidez do Julgamento Brasileiro

No atual processo, a relatoria no STF ficou a cargo do ministro Gilmar Mendes, decano da Corte. Ele reforçou veementemente, em documento encaminhado à Advocacia-Geral da União (AGU), a "higidez do julgamento conduzido pela Corte brasileira". Gilmar Mendes afirmou que "O processo em questão tramitou de forma hígida e regular, sem qualquer vício ou nulidade no processo de conhecimento que impeça a extradição de cidadã brasileira".

Com base nessas informações do STF, a AGU protocolou a defesa do Estado brasileiro perante a Corte italiana. O órgão garantiu que o Brasil observa estritamente os parâmetros fixados no Tratado de Extradição bilateral e as normas internacionais de cooperação jurídica em matéria penal, reafirmando o "compromisso permanente do Estado brasileiro com o combate à impunidade".

Confidencialidade e Cooperação Jurídica Internacional

A Advocacia-Geral da União, em nota, destacou a natureza confidencial do procedimento extradicional. "A AGU ressalta que o procedimento extradicional possui natureza jurisdicional e tramita sob regime de confidencialidade perante as autoridades competentes da República Italiana", explicou o órgão, mencionando o respeito às normas processuais aplicáveis e à condução do processo pelas autoridades italianas.

Por conta dessa confidencialidade, não é possível divulgar o conteúdo da manifestação apresentada nem comentar aspectos específicos relacionados ao mérito da causa ou às estratégias processuais adotadas. Esta postura visa a manter a integridade e a lisura do processo de cooperação jurídica internacional, um pilar fundamental no combate à impunidade.

Perguntas Frequentes

Qual o motivo do segundo pedido de extradição de Carla Zambelli para a Itália?

O segundo pedido de extradição refere-se à condenação de Carla Zambelli a cinco anos e três meses de reclusão no Brasil pelos crimes de constrangimento ilegal e porte ilegal de arma de fogo, decorrentes de um incidente com o jornalista Luan Araújo em 2022.

Por que o primeiro pedido de extradição de Carla Zambelli foi rejeitado pela Justiça italiana?

O primeiro pedido, relacionado à invasão dos sistemas do CNJ, foi rejeitado pelo tribunal de Roma sob o argumento de suposta parcialidade do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Brasil, que teria atuado em "dupla veste" como julgador e vítima.

Qual a postura do governo brasileiro, através da AGU e do STF, neste novo processo de extradição?

O ministro Gilmar Mendes, relator no STF, reforçou a "higidez do julgamento" brasileiro. A AGU protocolou a defesa do Estado, garantindo o cumprimento do Tratado de Extradição bilateral e o "compromisso permanente do Estado brasileiro com o combate à impunidade".

Quando ocorreu o incidente que resultou na condenação de Carla Zambelli no STF?

O incidente ocorreu às vésperas do segundo turno das eleições de 2022, no bairro dos Jardins, em São Paulo, quando Carla Zambelli se desentendeu e perseguiu o jornalista Luan Araújo empunhando uma pistola.