A Justiça de São Paulo negou o pedido de transferência de presídio ou prisão domiciliar apresentado pela defesa da advogada e influencer Deolane Bezerra, após uma audiência virtual nesta quarta-feira (24/6)[1]. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) decidiu rejeitar o habeas corpus, fundamentando a decisão na existência de provas suficientes que vinculam a influenciadora aos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro, nos quais ela é ré[1][3].
O pedido, feito em conjunto com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), solicitava a transferência de Deolane da Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo, onde ela está desde 22 de maio, para prisão domiciliar ou para uma Sala de Estado-Maior[1]. A defesa e a OAB alegavam que a instituição carcerária atual não se enquadrava nos parâmetros jurisprudenciais para caracterização de Sala de Estado-Maior[1]. Contudo, o TJSP manteve a custódia, afirmando que Deolane já está em uma ala separada das demais detentas, em razão de sua condição de advogada[2].
Na última quinta-feira (18/6), a Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e tornou Deolane Bezerra ré[3]. A denúncia, oferecida pelo promotor Lincoln Gakiya, aponta que a advogada atuava como receptora de valores ilícitos provenientes da Transportadora Lado a Lado, operada em benefício do PCC[3]. Relatórios revelaram movimentações financeiras incompatíveis com a capacidade econômica declarada por Deolane, que ultrapassam R$ 27 milhões[3].
A defesa de Deolane lamentou a decisão em nota, afirmando que sua cliente é inocente e que seguirá utilizando todos os meios legais possíveis contra uma prisão considerada "manifestamente desnecessária, excessiva e midiática"[3]. Os advogados agora aguardam o julgamento do mérito e avaliam recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ)[2][5]. Outro habeas corpus, quanto às condições da cela onde Deolane está, será analisado pela justiça em 6 de junho[2].
Deolane Bezerra está presa preventivamente desde 21 de maio de 2026, quando foi alvo da Operação Vérnix, deflagrada pelo MPSP e pela Polícia Civil para investigar um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao PCC[2]. Ela nega as acusações e afirma que foi presa por ter exercido a profissão de advogada em um serviço pelo qual recebeu R$ 24 mil de cliente[4].
