Keiko Fujimori foi oficialmente declarada presidente eleita do Peru após alcançar uma vantagem matematicamente irreversível na eleição presidencial de 2026, com 50,12% dos votos válidos, contra 49,88% de seu rival de esquerda, Roberto Sánchez [1][2]. A diferença de pouco mais de 40 mil votos (aproximadamente 43 mil, segundo dados do ONPE) não pode ser revertida, pois restam apenas 39.300 votos, correspondentes a 131 atas eleitorais, insuficientes para alterar o resultado [1][4].
A vitória marca o retorno do fujimorismo ao poder, mais de duas décadas após a queda de seu pai, o ex-presidente autocrata Alberto Fujimori, que governou o país entre 1990 e 2000 [1]. Com 51 anos, Fujimori disputou a presidência pela quarta vez consecutiva, em um país marcado por forte instabilidade política: desde 2016, o Peru teve oito presidentes em um contexto de crises institucionais recorrentes [1].
Roberto Sánchez, candidato de 57 anos que lidera a esquerda peruana, negou reconhecer o resultado e afirmou que não aceitará um eventual governo de Fujimori, denunciando suposta fraude eleitoral, especialmente nos votos emitidos no exterior [1][2]. Ele pediu a anulação dos votos do exterior, que representam quase 300 mil votos e favoreceram significativamente Fujimori, alegando irregularidades administrativas e de custódia [1][2]. O pedido de nulidade foi declarado improcedente pelo Júri Nacional de Eleições (JNE) por ser extemporâneo e por falta de pagamento das taxas eleitorais [1].
Sánchez anunciou que recorrerá a instâncias internacionais e convocará uma nova mobilização em Lima para sábado, enquanto o partido de Fujimori, Força Popular, aguardará 100% da apuração para se proclamar vencedor oficialmente, conforme o padrão peruano [1]. O resultado oficial será confirmado apenas em 15 de julho, quando o vencedor será proclamado oficialmente [2]. A posse presidencial está marcada para 28 de julho, quando Fujimori substituirá o presidente interino José María Balcázar para um mandato de cinco anos [1].
A eleição foi uma das mais disputadas da história recente da América Latina, com os dois candidatos alternando a liderança na apuração até que Fujimori assumiu progressivamente a dianteira [1]. A campanha evidenciou as divisões profundas do país: Fujimori obteve seus melhores resultados na costa e em centros urbanos, enquanto Sánchez venceu nas regiões rurais andinas [1]. O combate à insegurança e ao crime organizado foi o eixo central da campanha de Fujimori, com quase 70% dos peruanos esperando que a luta contra o crime seja a prioridade do próximo presidente [1].
Uma delegação da União Europeia afirmou que o segundo turno transcorreu de maneira "tranquila e ordenada", em um contexto de campanha polarizada [1]. A Força Popular advertiu que não reconhecer o processo poderia resultar em ações à margem da lei e afetar a ordem democrática [1]. Fujimori, filha do falecido ex-presidente Alberto Fujimori, reivindica a controversa herança do pai, cujos partidários atribuem a estabilização da economia e a derrota das guerrilhas das décadas de 1980 e 1990, embora ele tenha sido condenado por corrupção e crimes contra a humanidade [1].
