"Foi terrível. Tudo, tudo desabou", lamenta Yilsmaris Blanco, de 39 anos, atônita diante da devastação que se transformou Catia La Mar, uma das cidades mais afetadas pelo duplo terremoto que arrasou dezenas de edifícios no estado venezuelano de La Guaira, localizado a cerca de 40 km de Caracas[1][2].
Dois tremores consecutivos de magnitudes 7,2 e 7,5 sacudiram a Venezuela na noite de 24 de junho (dia da Batalla de Carabobo, feriado nacional), provocando a morte de ao menos 589 pessoas, quase 3.000 feridos e um número indeterminado de desaparecidos sob os escombros[2][4]. Em La Guaira, a região mais afetada e declarada "zona de desastre" pelo governo interino de Delcy Rodríguez, foram 250 torres residenciais desabadas, com muitas pessoas ainda presas sob os escombros[1][3].
"Não temos nada, nem sequer forças nem coragem para entrar ali. Imagina só", conta Larry Rojas, de 49 anos, morador de Catia La Mar, onde quase 200 prédios foram destruídos ou ficaram com grandes rachaduras e paredes abertas[1][3]. A falta de eletricidade, água e o medo de mais de 20 réplicas já sentidas deixam dezenas de moradores passando a noite na rua, sem luz e morrendo de sede[3][4].
"O que está faltando é ajuda, principalmente com equipamentos técnicos que estão em Caracas", pede ofegante José Pacheco, chefe de operações do Grupo Rescate Unido de Venezuela, com 30 anos de experiência e que afirma não ter visto "algo parecido"[3]. "Lá embaixo há sobreviventes", alerta Lisbeth Vasquez, outra moradora que conseguiu sair com sua família de um prédio desabado[3].
Na escuridão, socorristas e familiares recuperam corpos de vítimas, como os de um homem e uma mulher, enquanto autoridades observam cidadãos tentando por conta própria encontrar parentes[3]. A farmácia de Catia La Mar, com portas de vidro destruídas e prateleiras vazias, levanta suspeitas de saques, mas as autoridades não confirmaram[3].
"Que realmente alguém nos ajude, que enviem máquinas. É isso que precisamos para entrar nos prédios que desabaram", pede Larry Rojas, enquanto moradores correm com lanternas e veículos de emergência iluminam brevemente as ruas[3].
La Guaira, conhecida como porta de entrada da Venezuela e balneário preferido de caraqueños, já foi atingida por tragédias múltiplas, incluindo o deslave de 1999, e agora enfrenta sua mais grave crise sísmica[2].
