Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE), afirmou que o banco central "não descansará" até que a inflação na Zona do Euro estabilize sustentavelmente em 2%, o objetivo de médio termo da instituição[1]. Em painel realizado em Bruxelas, Lagarde refutou categoricamente a visão de que exista um quadro de estagflação na região, argumentando que as condições econômicas atuais são completamente diferentes das do passado, especialmente dos "anos 1970"[7].

"Vamos tomar as medidas necessárias para que a inflação não seja embutida na economia", declarou Lagarde, enfatizando o posicionamento firme do BCE[7]. Mais cedo, em declarações ao Comitê de Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu, a presidente do BCE ressaltou que ainda não há evidências de desancoragem dos preços ou efeitos de segunda ordem que justifiquem uma ação mais contundente[7]. Ela destacou que a faixa de riscos em torno da inflação da Zona do Euro se estreitou, embora a perspectiva continue mais incerta do que o normal devido à volatilidade na política comercial global[2].

Apesar do alinhamento do BCE, divergências surgem dentro da União Europeia sobre o diagnóstico da economia. O comissário da UE, Valdis Dombrovskis, participante do mesmo painel, manifestou a visão oposta, defendendo que há, de fato, um quadro de estagflação na região[7]. Lagarde, no entanto, manteve sua tese de que o processo de desinflação chegou ao fim, com projeções da equipe do Eurosystem indicando inflação média de 1,9% em 2026, 1,8% em 2027 e 2,0% em 2028[3].

A presidente do BCE também alertou que a situação econômica da Zona do Euro "continua frágil" devido ao conflito no Médio Oriente, apesar de acordos recentes, e defendeu o recente aumento "sólido" das taxas de juro, que foram elevadas em 25 pontos base para 2,25% em junho[4]. "O nosso trabalho não está concluído e temos de permanecer vigilantes", concluiu Lagarde, ecoando a lenda do futebol Bobby Robson: "Não descansaremos enquanto o jogo não estiver ganho e a inflação não voltar aos 2%"[1].