O presidente Lula desembarcou em Minas Gerais na semana passada com uma agenda focada em entregas na área da saúde, mas sem resolver a pendência mais crítica para sua reeleição: quem será o candidato do campo lulista ao governo mineiro. Nenhum dos três nomes mais cotados nos bastidores — Marília Campos (PT), Gabriel Azevedo (MDB) e Jarbas Soares Júnior (PSB) — esteve ao lado do presidente durante a viagem, expondo uma indefinição que reflete quase duas décadas de esvaziamento do PT no estado[2][5].
Marília Campos, ex-prefeita de Contagem e pré-candidata ao Senado, evitou a agenda de Lula, mantendo firme seu compromisso explícito de disputar o Senado, onde tem chances reais de eleição e evita o desgaste de uma corrida contra Cleitinho Azevedo (Republicanos), líder isolado nas pesquisas[2][5]. Gabriel Azevedo, ex-presidente da Câmara de Belo Horizonte e ligado ao MDB, também não apareceu, embora aliados do presidente o considerem o melhor candidato para atrair o MDB à coligação, apesar da resistência interna do PT que teme projetá-lo como futuro adversário[3][5][6].
Jarbas Soares Júnior, ex-procurador-geral de Justiça de Minas com histórico de atuação sob governos antipetistas de Aécio Neves e Romeu Zema, corre por fora como uma alternativa de consenso, mas sua candidatura nunca foi testada em eleições diretas, o que reforça a sensação de esgotamento do partido[5][6]. O impasse nasceu após Lula apostar quase um ano em Rodrigo Pacheco (PSD), que, frustrado por não ser indicado ao STF, anunciou sua saída da vida pública, deixando o PT mineiro sem um nome próprio e forçando a busca por alternativas fora dos quadros do partido[1][4][7].
Dentre as tentativas fracassadas, figuram Josué Gomes da Silva (PSB), empresário em recuperação judicial, e Alexandre Kalil (PDT), ex-prefeito de Belo Horizonte que gerou mais antipatia do que votos entre petistas[2][5]. O diretório estadual do PT aprovou resolução defendendo candidatura própria, mas o partido segue olhando para fora, próximo de antigos adversários, em um cenário onde a ausência de um nome competitivo na capital de Belo Horizonte nunca foi preenchida, com votações de 7,27%, 1,88% e 4,37% nas últimas três eleições municipais[2][5].
A hesitação interna e a dependência de mediações pessoais de veteranos sem mandato, como Edinho Silva e João Batista dos Mares Guia, revelam mais sobre o esvaziamento das estruturas partidárias mineiras do que sobre intenções de voto[2][3]. Enquanto Cleitinho Azevedo lidera as pesquisas sem definir se disputa o governo ou se aceita ser vice na chapa de Flávio Bolsonaro, e Mateus Simões (PSD) não consegue converter a máquina estadual em popularidade, Lula passa a testar nomes antes impensáveis em palanques petistas, como Azevedo e Jarbas, em uma aposta pragmática que reflete sua histórica busca por alianças onde encontra força, não onde encontra ideologia[2][5][6].
