Em discurso marcante durante o lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar 2025/2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que “a melhor arma que um país pode ter é alimento”, reafirmando a necessidade de investir em soberania alimentar e na produção de gêneros diversificados. No evento, em Brasília (DF), o governo federal anunciou investimentos de R$ 97,3 bilhões, incluindo crédito rural, seguro agrícola, compras públicas, assistência técnica e extensão rural, com destaque para a redução das taxas de juros e novos incentivos para mulheres e agroecologia[3][5].
Lula lembrou uma conversa com o então presidente venezuelano Hugo Chávez, quando o líder venezuelano apresentou aviões de caça ao brasileiro. Na ocasião, Chávez lhe perguntou: “Você sabia que a melhor arma que um país tem que ter é alimento? Você sabia que nós temos que ter soberania alimentar?” O presidente reforçou que o Brasil deve importar apenas os gêneros que não consegue produzir[3].
O Plano Safra 2025/2026 mantém a taxa de juros de 3% para a produção de alimentos da cesta básica — como arroz, feijão, mandioca, leite, ovos e frutas — e reduz para 2% quando a produção é orgânica ou agroecológica[3][5]. Também foram criadas linhas especiais de microcrédito para mulheres rurais, com limite de até R$ 20 mil, juros de 0,5% ao ano e bônus de adimplência entre 25% e 40%[3].
Para a mecanização, o limite de compra de máquinas e equipamentos pequenos foi ampliado de R$ 50 mil para R$ 100 mil, mantendo a taxa de 2,5%[3][5]. Além disso, foi lançado o inédito Programa de Transferência de Embriões, voltado à inovação da cadeia leiteira e à qualidade genética do rebanho[3].
Lula também incentivou os agricultores familiares a utilizar os recursos disponíveis para financiamento e afirmou que o governo busca nos bancos públicos a redução da taxa de juros para crédito aos produtores. Ele destacou que “se tiver um dinheirinho, vai utilizar em benefício da família”, e que esses recursos fazem a economia crescer e o dinheiro circular[3].
Na ocasião, o presidente comentou sobre a posse de terras pela União: “Não tem porque. Nem os nossos militares necessitam de tanta terra mais. Nós não vamos ter guerra. Nós somos da paz”, afirmando que há “muita terra” sob posse do governo[3].
Vânia Marques, presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Agricultura (Contag), celebrou o reconhecimento do protagonismo da agricultura familiar pelo governo. Ela destacou que o Plano Safra assume compromisso com as mulheres, oferecendo acesso a políticas públicas que ajudam agricultoras a terem autonomia financeira, reduzindo a chance de serem alvos de violência doméstica[3].
Marques também alertou para o cenário de desigualdade social agravado pelas mudanças climáticas e pediu respostas urgentes: “Nós podemos ser a solução da crise climática porque nós protegemos as nascentes, recuperamos os solos, preservamos as sementes. E somos nós que produzimos com responsabilidade”[3].
No mesmo evento, Lula lamentou as 1.943 mortes confirmadas em função dos terremotos na Venezuela na semana passada. O presidente afirmou que o Brasil fará tudo o que estiver ao alcance para ajudar o povo venezuelano. Até agora, o desastre também deixou 10.571 feridos e 15.866 desabrigados, com 6.461 pessoas resgatadas dos escombros. O número de prédios afetados pode passar de 58 mil. Ao final, Lula pediu um minuto de silêncio em homenagem ao país vizinho[3].
Fonte: Agência Brasil – Política.
