O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nesta sexta-feira (26), que a defesa nacional será incluída oficialmente em seu programa de governo para a próxima eleição. Em discurso durante a cerimônia de lançamento e batismo da Fragata "Cunha Moreira", em Itajaí (SC), Lula destacou a necessidade urgente de reequipar as Forças Armadas, alertando que o cenário internacional está "cheio de gente maluca".

"Pela primeira vez vou colocar a questão da defesa nacional no programa de governo, para assumirmos um compromisso público sobre o tipo de defesa que queremos neste país", afirmou o presidente[1]. Ele criticou a falácia da não proliferação de armas nucleares, lembrando que países como Paquistão, Coreia do Norte, Índia, China e Rússia, além dos Estados Unidos, continuam a fabricar e aumentar seus arsenais, enquanto a indústria de defesa brasileira estava, até recentemente, "praticamente quebrada"[1].

Lula reafirmou seu desejo de não guerrear, mas de não ser pego de surpresa. "Eu não quero constatar que eu não tenho nada. Eu tenho que me cuidar", disse, citando o histórico de invasões no continente, como a do presidente paraguaio Solano López[1]. O discurso foi marcado por referências a tensões geopolíticas recentes, incluindo a intenção do presidente norte-americano Donald Trump de invadir a Groenlândia e o Canal do Panamá, além de classificar facções brasileiras como o PCC e o CV como grupos terroristas, o que pode abrir espaço para intervenções estrangeiras no Brasil[1].

Para viabilizar essa nova estratégia, o Governo Federal já discute com as Forças Armadas um projeto vigoroso de defesa nacional com investimentos projetados de até R$ 456 bilhões, visando modernizar blindados, submarinos e aviões, e corrigir a quase ausência de drones na Força Terrestre[1][8]. A medida visa a dissuasão, garantindo que o País tenha capacidade de se defender contra ameaças de potências estrangeiras em um novo cenário geopolítico[1].

"Não é um navio, não é um monte de ferro com produto tecnológico de primeira linha. É o começo de um país que vai assumir de fato e de direito o direito de ser soberano, de tomar conta do seu nariz e de estar preparado", enfatizou Lula[1]. A decisão ocorre em um momento de escalada das tensões com os Estados Unidos, reforçando a postura de soberania nacional do governo brasileiro[1].

Fonte original: Notícias ao Minuto – Política.