O presidente Lula lançou nesta segunda-feira (29), no Palácio do Planalto, o Desenrola Adimplentes, nova modalidade da política de crédito do governo federal voltada a consumidores que mantêm suas dívidas em dia, mas enfrentam altos custos de empréstimos. A cerimônia contou com a presença do ministro da Fazenda, Dario Durigan, e tem como objetivo principal reduzir as taxas de juros para quem paga parcelas regularmente, mas compromete parte significativa da renda com crédito caro.
O programa permite a renegociação de dívidas de até R$ 15 mil, com critério principal de ter pago em dia pelo menos quatro parcelas do contrato. A proposta busca oferecer condições mais vantajosas, com taxa máxima de 1,99% ao mês, descontos de até 90% e prazos de até 48 meses, além de possibilidade de uso do saldo do FGTS para amortização. Segundo a equipe econômica, a iniciativa pode atingir cerca de 3 milhões de brasileiros, especialmente trabalhadores informais que não têm renda fixa mensal.
Apesar da aposta do governo, a Federação Brasileira de Bancos decidiu não oferecer apoio à iniciativa, avaliando que há pouco incentivo econômico para os bancos participarem de uma renegociação de contratos que estão sendo pagos regularmente. A adesão ao programa ficará, portanto, a critério de cada instituição financeira, conforme sua política de crédito. O governo pretende utilizar mecanismos de garantia por meio do Fundo Garantidor de Operações para reduzir o risco das instituições e, consequentemente, o custo do crédito.
O Desenrola Adimplentes representa uma ampliação da estratégia iniciada com o Desenrola Brasil, criado em 2023 para renegociar dívidas de inadimplentes. Agora, o governo pretende contemplar um público que ficou de fora das versões anteriores e evitar que consumidores migram para a inadimplência em razão do elevado custo do crédito. O lançamento ocorre às vésperas do início das restrições impostas pela legislação eleitoral, que a partir de 4 de julho impedem agentes públicos eleitos de participarem de eventos oficiais de divulgação de programas governamentais.
Fonte original: Carta Capital – Política.
