Um mês após a operação da Polícia Federal que o envolveu no caso Master, o presidente Lula reencontrará o senador Jaques Wagner (PT-BA) na Bahia, em uma viagem marcada por inaugurações institucionais e pelo esforço de preservar a amizade de mais de quatro décadas entre os dois. A visita, prevista para esta quarta-feira (1º), será o primeiro ato público do presidente ao lado de Wagner, que deixou a liderança do governo no Senado uma semana após a crise e segue negando qualquer envolvimento com o esquema de fraudes bilionárias do Banco Master[1][2].
Lula cumpre agenda em Alagoinhas, Vera Cruz e Salvador, onde participa da inauguração de um hospital, do início da montagem da plataforma provisória da megaponte de 12 km entre Salvador e Itaparica, e da reinauguração do Teatro Castro Alves, reformado com R$ 260 milhões[1]. O presidente não permanecerá na capital baiana para o cortejo do 2 de Julho — primeira vez em quatro anos que falta ao evento, por recomendação médica devido ao tratamento de radioterapia após a retirada de um câncer de pele[1][2].
O reencontro ocorre em meio a tensões internas no PT. Alguns setores do partido defendem o afastamento de Wagner para proteger a imagem do presidente, enquanto outros argumentam que o senador deve ser fortalecido, visto que a Bahia foi fundamental para a vitória de Lula em 2022, com 4 milhões de votos a mais sobre Bolsonaro[1]. Colaboradores diretos do presidente apostam em um clima de normalidade durante os eventos, e um aliado de Lula afirma que deverá prevalecer o sentimento de amizade entre os dois[1].
Em entrevista à Folha, Wagner admitiu ter relação com o empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, mas classificou como mentira as suspeitas de que recebeu vantagens indevidas. Ele também reclamou com Lula sobre a divulgação de uma foto com cédulas de moeda estrangeira apreendidas em seu apartamento em Brasília[1].
Outro ponto de controvérsia na Bahia é a situação de Eduardo Sodré, enteado de Wagner e secretário de Meio Ambiente do estado, que foi alvo da PF por um pagamento de R$ 3,5 milhões da firma PLK One, vinculada à operação Credcesta, para uma empresa da esposa dele, Bonnie Bonilha[1]. O governador Jerônimo Rodrigues (PT) garantiu, na segunda-feira (29), a permanência de Sodré no cargo, dizendo que não haverá afastamento sem provas concretas e manifestando solidariedade ao advogado e à família[1]. A decisão, contudo, gerou desconforto em aliados de Jerônimo, que temem que o caso respingue no governador[1].
Wagner retomou sua agenda pública na última sexta-feira (26), com atos políticos no oeste da Bahia, quando Jerônimo fez defesa pública do aliado, afirmando que "se você tem um erro na vida, para eles o erro é cuidar de pobre e dedicar a sua vida"[1]. No dia seguinte, o senador voltou a se declarar inocente e afirmou que não conhece governador ou prefeito que não se relacione com empresários[1].
A agenda de Lula na Bahia terá caráter institucional, com foco em obras e cultura, enquanto o governo busca manter a normalidade política e a aliança com Wagner, que segue como um dos aliados mais próximos do presidente[2].
Fonte original: Notícias ao Minuto – Política.
