Mãe denuncia agressão e maus-tratos contra filha autista em creche do Recanto das Emas
Giovanna Rodrigues, de 24 anos, denunciou à polícia um caso grave de negligência, maus-tratos e agressão contra sua filha de 7 anos, diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e não verbal. Segundo a mãe, a menina sofreu maus-tratos durante dois anos sob os cuidados das proprietárias de uma creche localizada no Recanto das Emas (DF), onde frequentava em dias alternados, por meio período[1][3].
A criança começou a chegar em casa com hematomas e marcas de mordidas, enquanto as donas da creche afirmavam que os machucados eram resultado de brincadeiras excessivas[1][9]. Além disso, a menina era deixada separada das outras crianças durante as refeições e recebia apenas restos de comida, sem poder repetir a refeição[3][9].
De acordo com Giovanna, a filha permanecia presa em uma cadeirinha infantil de alimentação das 11h30 até as 19h, com a mesma fralda, sem poder sair para correr ou brincar[1][3]. A monitora relatou que a fralda vazava, deixando a criança molhada de xixi, e que não era oferecida água[3]. A falta de troca de fralda causava assaduras e falta de higiene[3].
Em conversas com outras mães e ex-funcionárias, Giovanna descobriu que a filha era maltratada. Uma monitora revelou que a menina estava com a fralda vazada, e outra disse que queria denunciar a creche pelas condições em que as crianças ficavam[1][3].
A mãe relatou que, ao entrar na creche em 2024, a filha começou a apresentar comportamento estranho e agressivo. A avó da criança também notou que a menina chorava muito e tinha tremores quando via a fachada e o portão da instituição[1][9].
O caso é investigado pela 27ª Delegacia de Polícia (Recanto das Emas), e todos os envolvidos serão ouvidos[1]. As proprietárias da creche afirmaram em nota que o local não é instituição de educação, mas espaço de acolhimento, e que contribuem com a investigação[1].
A Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF) informou que a creche não possui credenciamento para oferta de atendimento educacional e que está adotando providências, incluindo encaminhamento de ofício ao DF Legal[1]. A secretaria reforça que o funcionamento de instituições educacionais particulares depende de autorização e credenciamento prévios, conforme a legislação vigente, para garantir segurança e qualidade[1].
Giovanna conta que, constantemente, pedisse às monitoras notícias e fotos da filha, mas as respostas demoravam a chegar[1]. A mãe diz que se sente profundamente culpada, não consegue comer ou dormir, e está depressiva e tomada pelo estresse e trauma[1].
Monitoras e ex-funcionários endossam as alegações de Giovanna. Um áudio gravado por uma criança da creche, enviado à mãe, narra episódios de violência, incluindo o relato de que uma mulher trancou um bebê sozinho dentro do quarto[1]. Outra funcionária foi chamada a atenção por ter deixado a filha de Giovanna repetir a comida[1].
Giovanna explica que nunca havia denunciado antes por falta de provas, mas sempre desconfiava do comportamento estranho da filha, que ficava agressiva e tinha medo de que a mãe puxasse seu cabelo[1]. Após conversar com outras mães e funcionárias, conseguiu juntar provas e denunciar[1].
Fonte original: Metrópoles – Distrito Federal.
