Mais de 1.500 obras que estavam guardadas e raramente vistas pelo público no acervo do Museu Nacional da República foram digitalizadas e agora integram um novo acervo digital, público e acessível. A seleção inclui peças de grandes nomes das artes brasileiras, como Anita Malfatti, Alfredo Volpi, Cândido Portinari, Antonio Bandeira e Di Cavalcanti, além de artistas do próprio Distrito Federal, como Adriana Vignoli, Antônio Obá e Raquel Nava.
A iniciativa é parte do projeto #conectaMuN, que visa democratizar o acesso às artes do museu, especialmente às que permaneciam ocultas no acervo físico. O diretor do Museu Nacional da República, Paulo Vega, destacou que a exposição digital é um presente não apenas para o museu, mas para toda a cidade de Brasília, permitindo que o patrimônio artístico seja acessado de qualquer lugar do mundo — por estudantes, turistas, pesquisadores e o público em geral.
“Agora, o museu deixa de estar limitado à nossa cúpula; ele pode ser acessado em qualquer lugar do mundo, tanto pelo público geral quanto por estudantes e turistas que virão a Brasília”, afirmou Vega. O diretor também explicou que a digitalização traz certeza e visibilidade aos próprios artistas, muitos dos quais questionavam o tempo que uma obra doada demorava para aparecer na galeria física. “Muitos comentam: ‘Doei uma obra no ano tal e faz tanto tempo que não vejo ela’. Agora, eles vão poder ver que ela está aqui mesmo, com essa certeza, sem depender de uma exposição”, disse.
As obras digitalizadas também contam com recursos de acessibilidade, ampliando o acesso de pessoas com deficiência ao patrimônio artístico da instituição. Parte das peças do acervo digital já está exposta no Museu Nacional até 19 de julho.
Arthur Gonzaga, diretor executivo do projeto #conectaMuN, reforçou a importância da digitalização como forma de preservação do acervo contra eventos extremos, citando o incêndio de 2018 no Museu Nacional do Rio de Janeiro (que destruiu 20 milhões de itens), o incêndio de 2021 na Cinemateca Brasileira (com 1 milhão de obras de cinema) e os ataques de 2023 aos prédios do Congresso Nacional, STF e Palácio do Planalto. “A digitalização é, com certeza, uma forma de preservar essas obras e dar vida nova aos acervos através da circulação dessas obras”, afirmou Gonzaga.
Fonte original: Metrópoles – Distrito Federal.
