Imagens recentes do Mar Negro mostram uma mudança surpreendente de cor: as águas, normalmente azul-escuras, adquiriram um tom vibrante de turquesa. O fenômeno, registrado pelo satélite PACE da NASA em 22 de junho de 2026, é um processo natural que ocorre praticamente todos os anos entre o fim da primavera e o início do verão no Hemisfério Norte[1][2].

A coloração turquesa é provocada pela intensa floração de cocolitóforos, um tipo de fitoplâncton microscópico revestido por pequenas placas de carbonato de cálcio[1][3]. Embora invisíveis a olho nu, esses organismos se multiplicam em quantidades tão grandes que alteram a reflexão da luz na superfície do mar, criando uma aparência azul-clara visível até do espaço[1][2].

Durante a maioria dos meses do ano, predominam no Mar Negro as diatomáceas, outro tipo de algas microscópicas que não clareiam a água, mantendo sua cor característica azul-escura[1]. Os cocolitóforos, por outro lado, são mais abundantes entre maio e junho, quando suas placas refletivas tornam a água levemente turquesa[1][4].

O fenômeno não ficou restrito ao Mar Negro: o Estreito de Bósforo, que liga o Mar Negro ao Mar de Mármara e corta Istambul, também apresentou tonalidade turquesa. Uma fotografia feita por um astronauta na Estação Espacial Internacional registrou o fitoplâncton sendo transportado pelas correntes em ambos os lados do canal[2].

Essas florações são importantes para o monitoramento dos oceanos, especialmente em áreas onde a coleta direta de amostras é difícil. Satélites como o PACE permitem acompanhar o comportamento desses microrganismos com precisão[2]. Além disso, os cocolitóforos desempenham um papel crucial no ciclo do carbono: quando morrem, parte do carbono absorvido é direcionado ao fundo do mar, onde pode permanecer armazenado por longos períodos[2][3].

Fonte original: Metrópoles – Ciência.