O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, rejeitou oficialmente o pedido do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para que Washington desistisse da proposta de impor novas tarifas sobre produtos brasileiros. Em uma carta datada de 23 de junho, Rubio manteve a posição do governo de Donald Trump, reafirmando as críticas comerciais ao Brasil e afirmando que os EUA trabalharão com “os líderes escolhidos pelo povo brasileiro” após as eleições de outubro[1][4].
A resposta veio após Flávio Bolsonaro argumentar que a sobretaxa de exportações causaria prejuízos à economia nacional e sugerir a criação de uma “equipe de transição” entre Brasília e Washington. Embora Rubio tenha agradecido a visita recente do senador e elogiado seu apoio à decisão americana de classificar o Comando Vermelho (CV) e o PCC como organizações terroristas, não houve qualquer sinal de recuo na disputa comercial[1][3].
Rubio destacou que o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, concluiu que práticas adotadas pelo Brasil, como o uso do Pix, desmatamento ilegal e falhas na aplicação de leis anticorrupção, são “irracionais ou discriminatórias” e oneram o comércio americano[1][3]. O secretário também ressaltou que permanecem “diferenças substanciais” entre os dois países em temas como comércio digital, sistemas de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, proteção da propriedade intelectual e acesso ao mercado de etanol[1].
A proposta de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras, que inclui exceções para produtos estratégicos como carne, frutas e café, segue em consulta pública. A audiência pública do USTR para debater as medidas ocorrerá em 6 de julho de 2026, e o prazo legal para a definição e eventual aplicação das medidas corretivas é 15 de julho de 2026[1]. Flávio Bolsonaro já anunciou que pretende participar da sessão em Washington[1].
No cenário político, Rubio agradeceu a oferta de Flávio de disponibilizar uma equipe de transição, mas evitou sinais de alinhamento político, afirmando apenas que os EUA estão preparados para cooperar com “os líderes escolhidos pelo povo brasileiro” para construir uma relação comercial “ampla, justa e mutuamente benéfica”[1]. A troca de cartas ocorre em meio ao agravamento das tensões entre Brasília e Washington. O governo Lula classificou a iniciativa como injustificável e atribuiu a ofensiva à atuação política da família Bolsonaro junto à gestão Trump, além de subir o tom contra Rubio, chamando-o de “latino-americano frustrado”[1].
Fonte original: Carta Capital – Política.
