Nesta sexta-feira (26), a Marinha do Brasil realizou o lançamento ao mar da fragata Cunha Moreira (F202), terceira unidade do Programa Fragatas Classe Tamandaré, no estaleiro Brasil Sul da TKMS em Itajaí (SC). A embarcação, construída com mão de obra nacional e transferência de tecnologia, simboliza o avanço da indústria naval brasileira e o fortalecimento da defesa naval do país[1][2].

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou do evento e enfatizou a importância de fortalecer a defesa nacional contra ameaças estrangeiras, sem desejar guerra, mas evitando ser surpreendido. Em discurso, Lula afirmou: "Eu não quero guerra. Mas eu também não quero ser pego de surpresa. Eu tenho que me cuidar. Tá cheio de maluco no mundo"[1]. Ele citou até mesmo a intenção do presidente americano de tomar a Groenlândia, o Canadá e o Canal do Panamá, questionando: "Aonde que nós estamos?"[1].

Lula classificou a fragata como um símbolo da soberania brasileira: "Isso não é [só] um navio. É o começo de um país que vai assumir, de fato e de direito, o direito de ser soberano, de tomar conta do seu nariz e estar preparado"[1]. O presidente defendeu a criação de um projeto estratégico de defesa, considerando o atual momento como o de "maior concentração de conflito da história da humanidade depois da 2ª Guerra Mundial"[1].

Fragata Cunha Moreira: características e avanço tecnológico

A fragata Cunha Moreira atinge velocidade de 25 nós (cerca de 47 km/h), possui 107 metros de comprimento, deslocamento de até 3.465 toneladas e inclui convoo, hangar para helicóptero, radares, sensores e armamentos[1].

O programa é fruto de parceria entre a Marinha, a Sociedade de Propósito Específico Águas Azuis (formada por TKMS, Embraer e Atech) e gerenciado pela EMGEPRON[1]. Atualmente, três fragatas são construídas simultaneamente no Brasil, com entregas previstas até 2029, gerando cerca de 23 mil empregos e envolvendo mais de mil fornecedores nacionais[1].

As outras unidades da classe são: Tamandaré (F200), já em serviço desde 24 de abril; Jerônimo de Albuquerque (F201), em fase de testes de mar; e Mariz e Barros (F203), em construção com batimento de quilha previsto para 2026[1][2].

O Comandante da Marinha, Marcos Olsen, destacou que o poder naval é "pilar à proteção de recursos, fluxos logísticos e instrumento de tempestiva resposta do Estado", adquirindo centralidade nas disputas atuais da conjuntura internacional[1].

Fonte original: Agência Brasil – Política.