MC Negão Original foi preso na manhã de quinta-feira (25/6) em Santa Isabel, na Grande São Paulo, durante a Operação Fim da Fábula, que investiga uma organização criminosa especializada em golpes digitais e estelionato eletrônico[1][2]. O funkeiro João Vitor Ribeiro, de 30 anos, nascido na zona leste de São Paulo e com mais de 4 milhões de seguidores nas redes sociais, estava foragido há quatro meses desde fevereiro, quando foi alvo da operação deflagrada pelo Deic[3].
Segundo a Polícia Civil, o cantor integra o grupo criminoso e está envolvido em fraudes conhecidas como 'golpe do INSS', 'golpe do falso advogado' e 'golpe da mão fantasma'[2][3]. Os criminosos também clonavam chaves Pix das vítimas e utilizavam sites de apostas online (bets) e fintechs para movimentar os valores obtidos de forma ilícita[1][3]. O esquema fraudulento lavou aproximadamente R$ 100 milhões em cinco anos, com vítimas em diversos estados do país[2].
MC Negão Original é acusado de divulgar uma plataforma de bet manipulada em que a casa sempre vence, induzindo fãs a apostarem para juntar recursos para a quadrilha[3]. Um imóvel em Itaquaquecetuba, onde o cantor morou, possui conexões financeiras com o grupo e servia como estrutura central das fraudes[3]. No local, foram encontrados notebooks, celulares e documentos relacionados à ação criminosa, que foram apreendidos para análise[3].
No Spotify, o cantor tem mais de 11 milhões de ouvintes mensais e explodiu com hits como 'Medley de Igaratá', 'Carnívoro' e 'Pirocada Quente'[3]. Seu álbum 'A Nata de Tudo – A Ovelha Negra' chegou ao topo do Top Álbuns Debut Global do Spotify[3]. Em entrevista ao Metrópoles em 2025, MC Negão Original descreveu sua trajetória como 'irônica', tendo passado pelo crime, pela igreja e pelo funk, e confessou que viveu no mundo criminoso mais jovem por 'falta de opção' antes de se converter[3].
A Operação Fim da Fábula, coordenada pelo Deic e pelo MPSP, cumpre 53 mandados de prisão temporária e 120 mandados de busca e apreensão, além do bloqueio judicial de R$ 100 milhões em bens dos investigados[2]. A ação envolve cerca de 400 policiais civis e promotores, tendo identificado 36 imóveis vinculados aos suspeitos, além de centenas de veículos e embarcações, muitos registrados em nome de laranjas ou empresas fictícias[2].
João Vitor foi capturado na região oeste do estado e está sendo conduzido ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP)[1]. A detenção ocorreu no âmbito de uma operação voltada a desarticular uma organização especializada em fraudes eletrônicas[7].
