Medicamentos como a tadalafila, originalmente indicados para tratar disfunção erétil, estão sendo usados de forma recreativa e indiscriminada por jovens brasileiros, o que preocupa especialistas da área de urologia. Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), esse uso pode levar à dependência psicológica, criando a falsa crença de que o bom desempenho sexual só é possível com o auxílio do remédio[3][4].
As vendas da tadalafila no Brasil dispararam nas últimas décadas: de 3,2 milhões de unidades em 2015, atingiram 74,9 milhões de caixas em 2025, um aumento de mais de 20 vezes em 10 anos[4]. Esse crescimento ocorre mesmo sem um aumento proporcional nos diagnósticos de disfunção erétil, indicando que muitos usuários não têm necessidade clínica do medicamento[2][4].
Apesar de ser considerado seguro sob orientação médica, o uso sem prescrição pode desencadear efeitos adversos comuns, como dor de cabeça, rubor facial, congestão nasal, dores musculares (especialmente na região lombar) e desconfortos gastrointestinais[2][3]. Em casos mais graves, há relatos de priapismo (ereção prolongada por mais de quatro horas), alterações visuais e auditivas, queda importante da pressão arterial, taquicardia e, em situações extremas, infarto, AVC e morte súbita[2][3].
O risco se amplifica quando a tadalafila é combinada com outras substâncias. A mistura com álcool pode potencializar o efeito hipotensor, causando tontura, queda de pressão e aceleração dos batimentos cardíacos[1]. A combinação com energéticos, estimulantes, anabolizantes ou drogas recreativas torna os efeitos imprevisíveis e perigosos[1][2]. Pacientes que usam nitratos para doenças cardíacas também podem ter quedas perigosas de pressão ao associar o medicamento com esses remédios[1][2].
Especialistas reforçam que não há evidências científicas de que a tadalafila melhore o desempenho sexual ou físico em homens saudáveis, nem que aumente o tamanho do pênis ou a sensação de "pump" muscular[2][4]. O uso por mulheres é considerado off label e deve ser evitado sem avaliação médica[1]. A principal orientação dos médicos é nunca utilizar qualquer medicação sem prescrição de um especialista, pois o uso indevido pode mascarar inseguranças naturais e gerar um ciclo de ansiedade e dependência emocional[3][4].
