Um menino de 11 anos morreu de raiva em Ontário, no Canadá, após um contato silencioso com um morcego que não deixou marcas visíveis de mordida ou arranhão. O caso, relatado em artigo publicado nesta segunda-feira (29/6) no Canadian Medical Association Journal, é o primeiro de raiva adquirida localmente em Ontário desde 1967[3][7].

Os pais do menino não perceberam lesões porque o morcego não demonstrava comportamento agressivo e o animal não deixou saliva ou ferimentos aparentes sobre o rosto do garoto, que acordou com o morcego cobrindo seu nariz e boca. Por isso, não buscou a profilaxia pós-exposição[3].

19 dias após o contato, o menino começou a sentir dormência no rosto, dores e vômitos. Inicialmente, recebeu diagnóstico de infecção na boca, mas retornou ao hospital no dia seguinte com rápida piora do quadro. A criança desenvolveu febre, confusão mental, dificuldade para engolir, salivação excessiva, alucinações e outros sinais neurológicos característicos da raiva[3].

O diagnóstico foi confirmado, mas, nessa fase, já não havia tratamento capaz de impedir a evolução da doença. O menino morreu após 17 dias de internação[3].

Por que o contato com morcegos preocupa?

A raiva é uma infecção viral que ataca o sistema nervoso e costuma ser transmitida pela saliva de animais infectados, principalmente por mordidas ou arranhões. Na América do Norte, a maior parte dos casos está relacionada ao contato com morcegos. Como esses animais têm dentes e garras muito pequenos, as lesões podem passar despercebidas[3].

Quando a doença dá sinais, quase sempre é fatal

Um dos maiores desafios da raiva é que o vírus pode permanecer incubado por dias ou até meses antes de provocar sintomas. Os primeiros sinais costumam ser inespecíficos, como febre, dor de cabeça, fadiga, formigamento ou dormência. Com a progressão da infecção, surgem alterações neurológicas graves, incluindo dificuldade para engolir, confusão mental, alucinações e paralisia[3].

Segundo os autores do estudo, uma vez que os sintomas aparecem, não existe tratamento comprovadamente eficaz para interromper a doença. Nessa fase, o atendimento passa a ser apenas de suporte. Apesar da gravidade, a raiva pode ser evitada quando o tratamento preventivo é iniciado rapidamente após a exposição. A profilaxia pós-exposição combina vacina e imunoglobulina antirrábica para impedir que o vírus alcance o sistema nervoso[3].

Especialistas reforçam que qualquer contato direto com um morcego deve ser comunicado aos serviços de saúde para avaliar a necessidade da profilaxia pós-exposição, tratamento preventivo feito antes do aparecimento dos sintomas[3].

Fonte original: Metrópoles – Saúde.