O mercado de trabalho formal brasileiro registrou um crescimento anual de 3,6%, alcançando 62,2 milhões de vínculos ativos em fevereiro de 2026, conforme dados da nova Relação Anual de Informações Sociais (Rais) Mensalizada divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego nesta quarta-feira (24)[1][6]. O avanço representou um acréscimo de 2,17 milhões de postos em comparação a fevereiro de 2025, com destaque para o setor público, que impulsionou a alta com crescimento de 8,6% na comparação anual e criação de 1,09 milhão de novos vínculos[1].

Dentro do estoque total, 48 milhões de trabalhadores eram celestas (com carteira assinada), enquanto 13,8 milhões correspondiam a agentes públicos, incluindo servidores estatutários, contratados por tempo determinado e ocupantes de cargos em comissão[1]. Entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, o mercado formal ganhou 1,39 milhão de trabalhadores, com destaque novamente para os agentes públicos, que avançaram 7,81% no período, passando de 12,8 milhões para 13,8 milhões de vínculos[1]. Cerca de 886,9 mil das novas contratações públicas registradas no início do ano foram por tempo determinado[1].

Participação feminina e diversidade
A participação feminina no emprego formal aumentou significativamente, chegando a 28,6 milhões de vínculos em fevereiro, o que representa um crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior[1]. Entre os homens, o crescimento foi de 2,7%, totalizando 33,5 milhões de vínculos. Com isso, a participação das mulheres no mercado formal passou de 45,6% para 46,1%[1]. O levantamento também apontou crescimento mais forte entre trabalhadores indígenas, pretos e pardos, além de um avanço expressivo entre jovens de 18 a 24 anos, que tiveram aumento de 1,21 milhão de vínculos em 12 meses[1].

Diferenças regionais e massa salarial
As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste apresentaram os maiores crescimentos proporcionais, com altas de 4,16%, 3,27% e 2,70%, respectivamente[1]. Em números absolutos, Minas Gerais e São Paulo se destacaram com 271,2 mil e 148,5 mil novos vínculos, respectivamente[1]. A massa salarial mensal passou de R$ 235,7 bilhões em janeiro de 2025 para R$ 240,7 bilhões em dezembro do mesmo ano, alta de 2,1%, enquanto a remuneração média mensal chegou a R$ 4.369 em dezembro de 2025, contra R$ 4.208,6 em fevereiro, aumento de 3,8%[1]. O setor de serviços concentrou a maior parcela da massa salarial, com cerca de R$ 155 bilhões no último mês analisado[1].

Revisão de dados pelo governo
O Ministério do Trabalho informou que identificou inconsistências nos dados de remuneração enviados pelos empregadores. Embora o número de vínculos formais tenha crescido de 60 milhões para 62,2 milhões em um ano, a quantidade de registros com remuneração válida caiu de 55,26 milhões para 53,53 milhões[1]. Diante das divergências, o governo decidiu divulgar os dados salariais apenas até dezembro de 2025 e aprofundar a análise das informações antes das próximas atualizações da Rais Mensalizada[1].