O oceano é um dos ecossistemas mais biodiversos da Terra, abrigando desde recifes de coral e manguezais até as profundezas marítimas, sustentando comunidades costeiras, regulando o clima e garantindo segurança alimentar global. No entanto, esses sistemas enfrentam pressões crescentes devido à pesca excessiva, perda de habitat, poluição e mudanças climáticas. Em resposta, as nações do mundo adotaram a meta ambiciosa de conservar 30% dos oceanos até 2030, conhecida como 30x30 — compromisso formalizado na COP15 da Biodiversidade em 2022, como parte do Marco Global da Biodiversidade de Kunming-Montreal [1][2].

Atualmente, cerca de 10% dos oceanos globais estão sob alguma forma de proteção, mas apenas 3,5% dessas áreas são totalmente ou altamente protegidas [1][8]. Dois novos relatórios, liderados por pesquisadores da Universidade Estadual do Oregon e do Instituto Smithsonian de Pesquisa Tropical, revelam que o principal obstáculo para alcançar a meta 30x30 não é a falta de ambição, mas a ausência de ações eficazes que tornem a proteção real e duradoura [8].

"Parques no papel": áreas marinhas protegidas sem fiscalização, financiamento e colaboração com governos locais e comunidades correm o risco de se tornar apenas linhas em um mapa, sem impacto real na vida marinha [8]. Décadas de experiência mostram que a proteção marinha eficaz exige regras consistentes, regulamentações, fiscalização, financiamento sustentável e participação comunitária [1][8].

O relatório do Smithsonian aponta que mais da metade das áreas marinhas protegidas existentes permanecem sem implementação ou inoperantes, com regras ausentes ou que até permitem atividades destrutivas como a pesca de arrasto de fundo [8]. Para atingir a meta 30x30, ainda é preciso proteger mais 20% do oceano nos próximos quatro anos, o que exige um duplo desafio: ampliar a cobertura e garantir que as áreas beneficiem efetivamente a vida marinha e as pessoas [8].

Iniciativas de capacitação e financiamento estão surgindo para preencher essa lacuna. A Iniciativa do Triângulo de Coral, sediada em Bali, já treinou mais de 8.200 funcionários públicos, líderes comunitários e representantes do setor privado em práticas de conservação marinha baseadas na ciência [8]. A Sustainable Finance Coalition mobilizou mais de US$ 43 milhões para proteger habitats essenciais na África e no Sudoeste do Oceano Índico [8].

À medida que 2030 se aproxima, a questão central não é mais quanto do oceano pode ser protegido, mas se essa proteção será real, duradoura e eficaz. O sucesso da meta 30x30 dependerá menos de novos anúncios de áreas protegidas e mais do investimento em capacitação, financiamento, fiscalização e apoio institucional de longo prazo [8].