O que começou como uma estratégia inovadora para tornar a botânica mais atraente em sala de aula transformou-se em um caso internacional de apropriação acadêmica. A pesquisadora brasileira Gláucia Lidiane da Silva, doutoranda da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), denunciou publicamente que um professor da Universidad Miguel Hernández de Elche (UMH), na Espanha, plagiou seu "Método Taylor Swift", utilizando a mesma lógica, os mesmos videoclipes da cantora e a mesma abordagem sem citar a autora original[1][2].
O método, desenvolvido entre 2020 e 2021, foi criado para enfrentar o problema da "impercepção botânica" — a dificuldade dos estudantes de perceber as plantas no ambiente e reconhecer sua relevância[1]. A ideia central é utilizar a familiaridade dos alunos com a cultura pop, especificamente os videoclipes de Taylor Swift, para aproximá-los de conteúdos técnicos e áridos da botânica[1]. Gláucia percebeu que o videoclipe de "Cardigan", do álbum *Folklore*, poderia servir de gancho para uma aula sobre musgos e, a partir disso, mapeou outros vídeos da artista que mostravam plantas, flores e árvores, criando um banco de dados que cruza cada vídeo com um assunto botânico específico[1].
A proposta foi apresentada em julho de 2024 no Congresso Internacional de Botânica, em Madri, e posteriormente publicada em 2025 na prestigiada revista científica Annals of Botany (ligada à Oxford University Press), onde se comprova que 53 videoclipes da cantora (87% da videografia analisada) podem ser aproveitados em conteúdos de botânica[1][2]. Segundo a pesquisadora, o professor espanhol assistiu à palestra no congresso e, mais tarde, publicou um capítulo de livro repetindo a estrutura do método, apresentando a abordagem como inédita e sem citar a autora brasileira[1][2].
Gláucia afirma que tentou resolver o caso por vias institucionais, enviando mensagens ao professor, à universidade, ao departamento e ao setor de comunicação da UMH, mas o único retorno veio do docente, que reconheceu a semelhança entre os trabalhos, mas não fez correções[1]. A UFRN também acionou formalmente a universidade espanhola e a editora responsável, sem sucesso[1]. Diante da falta de resposta institucional, a pesquisadora criou uma "Vakinha" (campanha de arrecadação) para custear os custos do processo jurídico[2].
O caso vai além do desconforto pessoal e acende um alerta sobre integrididade científica, autoria e reconhecimento de pesquisadores brasileiros no exterior[1]. Gláucia relata ter recebido dezenas de relatos de estudantes que enfrentaram situações semelhantes em outros contextos acadêmicos[1]. Enquanto aguarda uma resposta oficial, a repercussão da denúncia serve como pressão para o reconhecimento formal da autoria do Método Taylor Swift, uma proposta que nasceu em sala de aula, foi publicada por uma pesquisadora brasileira em uma das principais revistas da área e agora levanta um debate crucial sobre plágio e a valorização da produção científica nacional[1][9].
