Michelle Bolsonaro recebeu amplo apoio de aliados nas redes sociais após publicar um vídeo de mais de 20 minutos expondo supostos desrespeitos do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Na gravação, a ex-primeira-dama afirmou ter sido “traída” e “apunhalada” pelo enteado, que, segundo ela, agiu de forma ríspida e exigiu seu afastamento das decisões do partido.

O desentendimento entre os dois começou devido a divergências sobre a aliança do PL com Ciro Gomes (PSDB) no Ceará. Michelle relatou: “Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone, e eu não tinha feito nada contra ele”. Ela também disse que Flávio afirmou que seria melhor ela ficar fora das decisões do partido, alegando que ela “chegou ontem” e não entendia nada de política. Diante da humilhação, Michelle decidiu recolher-se, entendendo que seu apoio era insignificante ou não era desejado.

Após a divulgação do vídeo, políticos do PL e aliados de Bolsonaro dividiram-se nas redes sociais. Enquanto alguns optaram pelo silêncio, aliados próximos de Michelle demonstraram publicamente seu apoio. A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), amiga de Michelle, manifestou solidariedade no Instagram: “Você brilha! E isso incomoda muita gente! Não é fácil ser mulher na política! Você não está sozinha! Somos todas Michelle.”

A senadora Damares Alves também elogiou a ex-primeira-dama nos comentários: “Coerente! Forte! Corajosa! Verdadeira! Amo você, amiga!”. O senador Eduardo Girão (Novo-CE), nome que Michelle apoia no Ceará em vez de Ciro Gomes, agradeceu a ela: “Muitíssimo grato por sua confiança. Seu apoio, autenticidade, assim como seu compromisso integral com a Verdade e Justiça.”

O vice-prefeito de São Paulo, Coronel Mello Araújo (PL), também defendeu Michelle: “Apoiar Ciro Gomes é um absurdo, também não concordo. Que Deus dê sabedoria e ilumine quem decide.” O presidente nacional do PRTB, Leonardo Avalanche, escreveu: “Parabéns pela coragem e pela coerência”.

Segundo Michelle, Flávio agiu de forma ríspida e exigiu seu afastamento das decisões partidárias. O partido cogitou Michelle para a Vice-Presidência em uma chapa com Tarcísio de Freitas (Republicanos) antes do lançamento da pré-candidatura de Flávio ao Planalto. Atualmente, a expectativa é que ela dispute o Senado pelo Distrito Federal. Pesquisas de intenção de voto colocam a ex-primeira-dama na liderança, com mais de 30% da preferência.

Michelle afirmou anteriormente que apoiará a campanha de Flávio “no momento certo”, mantendo como prioridade o cuidado com o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão. A crise entre Michelle e Flávio pode gerar impactos significativos na pré-campanha do PL para a Presidência.