Michelle Bolsonaro oficializou sua saída da presidência do PL Mulher, braço feminino do Partido Liberal, após uma reunião tensa com o presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, nesta terça-feira (30), em Brasília. A decisão foi motivada por desentendimentos com o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, e pela necessidade de dedicar-se integralmente aos cuidados com o marido, ex-presidente Jair Bolsonaro, e com a filha[1][2].

Em nota, Michelle afirmou que deixou o cargo para se dedicar “integralmente” à família, após reflexão com o ex-presidente sobre o momento vivido pelo clã Bolsonaro[1]. Ela destacou que, durante sua gestão, construiu um “grande exército de mulheres de bem” que já estão transformando o Brasil e corrigindo os rumos da Nação[1].

Aliados da ex-primeira-dama interpretam a renúncia como um sinal de que ela não concorrerá ao Senado pelo Distrito Federal nas eleições de 2026. Segundo relatos recentes, Michelle estaria desmotivada com a disputa devido aos ataques que diz receber de bolsonaristas irritados com a divulgação de um vídeo em que tornou pública a crise no clã[1].

O pano de fundo da contenda é a insatisfação de Michelle com o apoio do PL à pré-candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do Ceará, em detrimento de Eduardo Girão (Novo). Em gravação, ela relatou que Flávio foi “ríspido” e “maltratou” ao telefone, dizendo que ela deveria ficar fora das decisões do partido por não entender política[1]. A “humilhação” foi vista como sinal de que o enteado não queria seu apoio para a corrida ao Planalto[1].

A crise com Michelle alertou a cúpula do PL, que avalia que o conflito pode atingir o eleitorado de Flávio, especialmente entre mulheres e evangélicos. Interlocutores do pré-candidato buscam reaproximação com a ex-primeira-dama para evitar turbulências futuras e aceleram a busca por uma vice mulher para estancar a crise[1].

Valdemar Costa Neto minimizou as brigas internas em comunicado, afirmando que Michelle “passa por um momento difícil” com o marido e que “fez a opção de concentrar suas atividades em cuidar do nosso presidente”. Ele destacou que, embora as divergências cresçam com o crescimento do partido, o que une os líderes é muito maior[1].

Fonte original: Carta Capital – Política.