As ações da Microsoft caminham para registrar o pior mês desde a era da bolha da internet, com uma queda de 17% em junho que eliminou mais de US$ 570 bilhões em valor de mercado e levou o preço de fechamento ao menor patamar desde 2023. A volatilidade atual reflete a preocupação dos investidores com o desempenho da gigante de software em um cenário cada vez mais moldado pela inteligência artificial (IA), que gera dúvidas tanto sobre os altos gastos de infraestrutura quanto sobre a possível disrupção de produtos tradicionais como Word e Excel[1][3].
Jack Ablin, estrategista-chefe da Cresset Wealth Advisors, destaca que a empresa está sendo "pressionada por dois lados", com o mercado reagindo de forma impulsiva: "os investidores estão atirando primeiro e fazendo perguntas depois". Embora o valuation esteja historicamente baixo — negociado a 19 vezes os lucros projetados, um raro desconto em relação ao índice S&P 500 (20x) e muito abaixo da média de 27x dos últimos dez anos — a incerteza persiste quanto à capacidade da IA de substituir produtos da Microsoft[2][4].
Apesar do pessimismo, a queda atraiu a atenção de investidores de longo prazo, como Michael Burry, famoso por sua aposta contra o mercado imobiliário antes de 2008. Burry adquiriu opções de compra da Microsoft com vencimento em 2028 e preço de exercício em US$ 700, uma notícia que impulsionou as ações em 5,7% na sexta-feira, fechando aUS$ 372,97[2]. Keith Fitz-Gerald, da Fitz-Gerald Group, também vê a situação como uma "oportunidade épica de compra", acreditando que, quando os gastos com IA se traduzirem em lucros, a empresa "subirá como um foguete"[2].
As preocupações de rentabilidade foram reforçadas em abril, quando os resultados do terceiro trimestre fiscal mostraram um crescimento abaixo do esperado na nuvem Azure, e a empresa projetou investimentos de capital de US$ 190 bilhões, acima do esperado por Wall Street. Analistas como Brad Reback, da Stifel, alertam que esses gastos agressivos ameaçam a rentabilidade da companhia, reduzindo o preço-alvo da ação de US$ 415 para US$ 400[2]. No entanto, as estimativas da Bloomberg apontam para um crescimento de vendas de 17% no atual ano fiscal, a expansão mais rápida desde 2022, com projeções de aceleração para 18% em 2028 e 20% em 2029[2].
A situação da Microsoft ilustra um dilema maior do mercado: se os pesados investimentos em infraestrutura de IA estão gerando retornos suficientes ou se a tecnologia pode, no futuro, reduzir a demanda por softwares tradicionais. Enquanto isso, a empresa mantém sua avaliação mais barata em uma década, testando a convicção de investidores que veem na queda uma oportunidade de entrada ou um sinal de risco sistêmico[3][4].
Fonte original: InvestNews – Negócios.
