Presidente argentino usa suas redes sociais para endossar teorias de uma campanha coordenada e criticar o que chama de "wokismo" internacional.
O presidente da Argentina, Javier Milei, tem intensificado sua atividade na plataforma X (antigo Twitter) nos últimos dias, repercutindo dezenas de publicações sobre uma crescente "onda anti-Argentina". O ultraliberal argentino interpreta esse movimento como um ataque direto ao seu governo, atribuindo a responsabilidade à "esquerda global" e à oposição interna.
Em meio a uma enxurrada de postagens nesta quarta-feira (22), Milei compartilhou diversos textos que ligam a impopularidade do país a uma suposta orquestração política. Entre as publicações endossadas, destaca-se a que aponta a oposição como "peça fundamental" desse fenômeno.
Essa narrativa de confronto não é nova para o líder argentino, que frequentemente utiliza suas plataformas digitais para vocalizar suas visões políticas e contra-atacar o que considera serem ameaças à sua agenda de reformas e ao ideário ocidental.
Javier Milei e a Teoria do Ataque Global
Javier Milei tem reforçado a ideia de que a "onda anti-Argentina" faz parte de um plano maior. Uma das publicações repostadas pelo presidente sugere que aos "inimigos do ocidente", convém "impedir que a Argentina volte a ser próspera".
O deputado Alejandro Fargosi, membro do partido de Milei, complementa essa visão, afirmando que "Não é a primeira vez que tentam, mas agora Javier Milei governa e vai ser a primeira vez que fracassarão". Essa perspectiva ecoa um discurso feito por Milei no Fórum Econômico Mundial em Davos, em 2024, onde ele alertou que o Ocidente estaria em perigo por ter seus defensores cooptados por uma visão que levaria ao socialismo.
Um apoiador do presidente ressaltou nas redes: "Há dois anos e meio, Milei nos alertou sobre a campanha global coordenada e financiada contra a Argentina, que nada mais é do que mais uma escalada antiocidental", embora o trecho específico do discurso compartilhado não fizesse menção direta à Argentina. A deputada Lilia Lemoine, em outra postagem endossada por Milei, declara: "Eles expressam seu ódio agora porque, com o governo de Javier Milei, estamos no caminho para nos tornarmos um país próspero novamente. Estamos avançando. E isso incomoda os progressistas invejosos e ressentidos." O próprio presidente citou Winston Churchill em uma postagem sobre o tema: "Você tem inimigos? Ótimo. Isso significa que você defendeu algo em algum momento da sua vida."
Ataques à Oposição e o "Wokismo" Argentino
A oposição argentina é vista por Milei e seus apoiadores como cúmplice da suposta campanha negativa. O escritor ultradireitista Agustín Laje, em um texto amplamente compartilhado por Milei, responsabilizou a oposição. Laje afirmou que "Eles validaram o ‘wokismo’ que hoje nos acusa de racismo; promoveram a ideia de que os jogadores eram párias; fomentaram o ódio contra Messi; e alimentaram, a partir da própria Argentina, a mentira de que a seleção venceu graças aos árbitros e aos favores da Fifa". Milei respondeu à publicação com um categórico "Absolutamente correto".
A crítica de Laje mirou especificamente o kirchnerismo, principal força política de esquerda da Argentina, associada aos ex-presidentes Néstor e Cristina Kirchner. Ele utilizou o termo "wokismo", uma expressão pejorativa da direita americana para descrever a agenda progressista, sugerindo que essa ideologia estaria por trás das acusações de racismo e outras críticas dirigidas ao país.
Repercussão da Copa do Mundo e Acusações de Racismo
Parte do rechaço à Argentina, conforme apontado pelas publicações endossadas por Milei, remete à Copa do Mundo. Durante o torneio, a seleção do craque Lionel Messi enfrentou diversas críticas, que variavam desde o suposto favorecimento da arbitragem ao país sul-americano até questões mais sérias, como cantos racistas da torcida.
A percepção da Argentina hoje contrasta com o apoio massivo recebido quatro anos atrás, quando a torcida pelos hermanos era notável até mesmo no Brasil. Grande parte desse suporte se devia à figura de Messi, que atualmente é alvo de cobranças por não se manifestar publicamente contra os cantos racistas atribuídos à torcida argentina.
Celebridades e a Impopularidade Argentina
A onda anti-Argentina ganhou projeção internacional com a adesão de celebridades. O ator Samuel Leroy Jackson, por exemplo, publicou em seu Instagram no último domingo (19) um pedido para que as pessoas não torcessem pelos sul-americanos. Ele declarou que "Argentina é, historicamente, um dos países mais racistas do mundo, se não o mais racista".
Outro episódio de repercussão envolveu a cantora espanhola Rosalía. Ela compartilhou um story da influenciadora Mia Khalifa, que continha a música "La perla" ao fundo e a frase: "Como a vida se parece agora que as ‘perlas’ foram derrotadas". Após a forte reação do público argentino, especialmente com shows agendados para Buenos Aires em agosto, Rosalía apagou a postagem e se desculpou, explicando: "Cliquei em compartilhar porque ‘La Perla’ estava tocando e eu nem li o que estava escrito. Erro meu, desculpe".
Perguntas Frequentes
Qual a visão de Javier Milei sobre a onda anti-Argentina?
O presidente argentino Javier Milei interpreta a crescente "onda anti-Argentina" como um ataque coordenado da "esquerda global" e da oposição interna ao seu governo, visando impedir a prosperidade do país e minar suas políticas ultraliberais.
Quem Milei culpa pela impopularidade da Argentina?
Javier Milei e seus apoiadores culpam a oposição, em especial o kirchnerismo, e uma suposta agenda "wokista" e progressista por alimentar o ódio e as críticas contra a Argentina, incluindo acusações de racismo e de favorecimento na Copa do Mundo.
O que é "wokismo" no contexto da política argentina?
No contexto da política argentina, o "wokismo" é um termo pejorativo, importado da direita americana, usado por Milei e seus aliados para descrever agendas progressistas e de esquerda, que seriam responsáveis por "validar" acusações de racismo e outras críticas ao país.
A Copa do Mundo de Messi impactou a imagem da Argentina?
Sim, a imagem da Argentina durante e após a Copa do Mundo foi afetada por críticas relacionadas a supostos favorecimentos da arbitragem e, principalmente, por cantos racistas atribuídos à torcida. Isso contribuiu para a atual impopularidade, que contrasta com o apoio prévio ao craque Lionel Messi.
