O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, decidiu nesta quarta-feira, 24 de junho, estender por 60 dias o prazo para a Polícia Federal (PF) concluir o inquérito que investiga o ex-ministro Geddel Vieira Lima e seu irmão, Lúcio Vieira Lima, por suposta lavagem de dinheiro. A decisão acolhe um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), que defendia a prorrogação para permitir a realização de diligências pendentes e a elaboração do relatório final da PF.

As investigações focam na suposta lavagem de dinheiro por meio da simulação de um contrato de locação de maquinário agrícola destinado à fazenda da família Vieira Lima, além da simulação de compra e venda de gado. Em 2019, quando Geddel já não exercia mandato, o caso foi enviado à Justiça Federal do Distrito Federal, com base no entendimento do STF sobre foro privilegiado à época. Com a mudança promovida pela Corte em 2025 na extensão do foro, os autos retornaram à alçada do ministro.

Geddel, Lúcio e outros alvos do inquérito buscam o arquivamento sob a alegação que a investigação resulta da Operação Cui Bono, declarada nula com trânsito em julgado pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Em maio, Moraes rejeitou o pedido, argumentando que a investigação está em tramitação regular, com diversas diligências já realizadas e a apresentação de relatório parcial pela PF. Assim, o encerramento seria "absolutamente prematuro".

Geddel Vieira Lima já foi condenado anteriormente pelo STF a 13 anos e 4 meses de prisão por lavagem de dinheiro e associação criminosa no caso das malas com R$ 51 milhões encontradas em um apartamento em Salvador em 2017[1]. A condenação por associação criminosa foi derrubada em 2021, mas a de lavagem de dinheiro foi mantida[1]. Seu irmão, Lúcio Vieira Lima, também foi condenado a 9 anos de prisão[1].

A medida de Moraes reforça a continuidade das investigações e a rejeição a pedidos de arquivamento, mantendo o foco em crimes financeiros e na necessidade de apuração completa dos fatos.