Família de bebê Matteo busca justiça e questiona atendimento médico em Cubatão

A morte trágica de Matteo Lima Albertino, um menino de apenas 2 anos, abala a cidade de Cubatão, na Baixada Santista, e levanta sérios questionamentos sobre a qualidade do atendimento médico. O pequeno Matteo faleceu após uma sequência de quatro consultas em unidades de saúde do município, em um período de apenas quatro dias, com o quadro de saúde deteriorando rapidamente.

A família do garoto, liderada pela mãe Laysa Lima Albertino, expressa indignação e busca por justiça, alegando que houve falhas na avaliação clínica que poderiam ter salvo a vida do filho. Os pais relatam uma série de sintomas preocupantes, como febre alta persistente, vômitos, diarreia e até um abscesso anal, que não teriam sido devidamente investigados ou tratados nos primeiros atendimentos.

Diante da gravidade do caso e das reclamações da família, a Prefeitura de Cubatão, por meio de sua Secretaria Municipal de Saúde, anunciou a abertura de uma sindicância administrativa. O objetivo é apurar com rigor e transparência todas as circunstâncias que levaram à morte do bebê, conforme informação divulgada por Metrópoles – São Paulo.

A Rápida Deterioração e as Primeiras Consultas Médicas em Cubatão

O calvário de Matteo começou na noite de sexta-feira, 26 de junho, com uma febre alta persistente, acima de 39° C, que não cedia. Preocupados, os pais o levaram ao pronto-socorro de Cubatão no sábado (27/6). A médica de plantão diagnosticou uma irritação na garganta, receitou medicamentos e liberou a criança, sem solicitar exames mais aprofundados.

No dia seguinte, domingo (28/6), com o agravamento dos sintomas, que incluíam vômitos, diarreia e perda de apetite, a família retornou à unidade. Um novo médico atribuiu o quadro a uma virose comum, afirmando que já havia atendido o sexto caso semelhante naquele dia, novamente sem investigar com exames, conforme o relato da mãe Laysa Lima Albertino. “Ele falou que já era o sexto caso que atendia e que, provavelmente, meu filho tinha pegado alguma coisa na escolinha”, contou a mãe.

Apesar da medicação prescrita, o estado de saúde do pequeno Matteo continuava a piorar. A criança ficou cada vez mais abatida, recusando alimentos e passando grande parte do tempo sonolenta. “A gente confiava nos médicos. Se eles falavam que era uma virose, a gente acreditava. Eu não sou médica, sou mãe”, desabafou Laysa, destacando a confiança depositada nos profissionais de saúde da rede pública de Cubatão.

O Abscesso Anal e a Demora nos Exames Cruciais para o Diagnóstico

Na segunda-feira, 29 de junho, a preocupação da família atingiu o auge. Matteo apresentava novos sinais alarmantes, incluindo um abscesso na região anal com acúmulo de pus. Foi a terceira vez que buscaram atendimento, mas o diagnóstico inicial não indicou gravidade, resultando apenas na prescrição de uma pomada.

Horas depois, diante da rápida deterioração do quadro, os pais retornaram ao hospital pela quarta vez. Foi somente nesse ponto que a equipe médica decidiu solicitar exames de sangue. “Depois do quarto atendimento, pediram exame de sangue. Até então, não tinham pedido nada”, lamentou Laysa, questionando a demora em investigações mais profundas.

Matteo permaneceu em observação, com a mãe relatando que ele parou de urinar e respondia pouco aos estímulos. Começou então a corrida por uma vaga em UTI pediátrica em outro município, já que Cubatão, uma cidade com mais de 100 mil habitantes, conta com apenas dois leitos de UTI infantil no Hospital Municipal. Uma enfermeira chegou a expressar preocupação com a possibilidade de sepse, infecção generalizada, hipótese também levantada pelo laudo inicial do IML.

A Trágica Morte e o Clamor por Justiça em Cubatão e Baixada Santista

O quadro de Matteo piorou drasticamente. “Quando ele vomitou, era sangue saindo pela boca e pelo nariz. Eu entrei em desespero”, recordou Laysa. Uma vaga de UTI foi finalmente conseguida durante a noite. Matteo chegou a ser transferido, mas infelizmente não resistiu, vindo a óbito logo após a chegada.

Abalada e determinada, a mãe de Matteo afirma que não desistirá até que haja responsabilização pelas falhas que, segundo ela, culminaram na perda de seu filho. “Hoje, foi o meu filho. Amanhã pode ser o filho de outra pessoa. Eu quero justiça”, declarou Laysa Lima Albertino, em busca de respostas e mudanças no sistema de saúde.

Em resposta aos acontecimentos e à repercussão do caso, a Secretaria Municipal de Saúde de Cubatão divulgou uma nota. A pasta informou a instauração da sindicância administrativa para apurar todas as circunstâncias, prometendo uma investigação técnica e imparcial, com a oitiva dos envolvidos e análise dos procedimentos adotados, sem antecipar conclusões.

A administração municipal de Cubatão reiterou seu compromisso com a qualidade da assistência à população e garantiu que, caso sejam constatadas irregularidades, as medidas cabíveis serão prontamente adotadas para evitar que tragédias como a de Matteo se repitam na cidade da Baixada Santista.

Perguntas Frequentes

Qual foi a causa da morte de Matteo Lima Albertino?

O laudo inicial do Instituto Médico Legal (IML) apontou uma possível sepse, uma infecção generalizada, como causa da morte de Matteo Lima Albertino. O laudo definitivo ainda não foi divulgado publicamente.

Quantas vezes Matteo foi atendido antes de morrer em Cubatão?

Matteo Lima Albertino, de 2 anos, foi levado a unidades de saúde de Cubatão quatro vezes em um período de quatro dias, com o quadro de saúde se agravando progressivamente a cada atendimento médico.

A Prefeitura de Cubatão está investigando o caso da morte do bebê?

Sim, a Secretaria Municipal de Saúde de Cubatão instaurou uma sindicância administrativa para apurar com rigor e transparência todas as circunstâncias e os procedimentos médicos adotados no atendimento a Matteo Lima Albertino.

O que a família de Matteo Lima Albertino busca com a investigação?

A família de Matteo Lima Albertino busca justiça e responsabilização pelas mortes e supostas falhas nos atendimentos médicos que, segundo eles, culminaram na morte do menino de 2 anos, conforme a declaração da mãe, Laysa Lima Albertino.

Havia leitos de UTI pediátrica disponíveis em Cubatão para Matteo?

Cubatão, com mais de 100 mil habitantes, possui apenas dois leitos de UTI pediátrica no Hospital Municipal, o que exigiu a busca por uma vaga em outro município quando o quadro de Matteo se agravou, atrasando sua transferência.