Cerca de 15 organizações buscam alianças com democratas e órgãos internacionais, enquanto grupo ligado a Bolsonaro pede pressão diplomática.

Organizações e movimentos sociais do Brasil desembarcaram em Washington, capital dos Estados Unidos, nesta semana. O objetivo principal é buscar alianças estratégicas e apoio internacional para salvaguardar o processo eleitoral brasileiro contra qualquer forma de interferência estrangeira nas próximas eleições presidenciais.

A comitiva, composta por representantes de diversas entidades civis, tem uma agenda repleta de reuniões. Estão previstos encontros com deputados democratas influentes no Congresso americano e com órgãos de direitos humanos, como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), parte da Organização dos Estados Americanos (OEA).

A iniciativa visa a destacar a importância do respeito à soberania do Brasil e reforçar a confiança no sistema democrático do país. Este movimento surge em um cenário onde a discussão sobre ingerência externa nas políticas nacionais tem ganhado destaque.

Alianças em Washington contra ingerência estrangeira

A missão brasileira é liderada pelo Washington Brazil Office e congrega aproximadamente 15 organizações da sociedade civil. Entre os nomes de peso que integram o grupo estão a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), a Comissão Arns e o Instituto Marielle Franco.

Na capital americana, os representantes brasileiros pretendem dialogar com diversos atores políticos. A agenda inclui reuniões com deputados democratas como Mark Pocan, Joaquin Castro, Chuy García e Jonathan Jackson. Há também a intenção de se conectar com as equipes dos parlamentares Jim McGovern, Sydney Kamlager-Dove, Tim Kaine e Peter Welch. Uma reunião com um deputado republicano também está na expectativa, embora o nome ainda não tenha sido divulgado publicamente.

Além dos legisladores, o grupo tem agendadas conversas com a CIDH, que faz parte da OEA, e com representantes da Embaixada do Brasil em Washington. O Instituto de Pesquisa em Direito e Tecnologia do Recife (IP.rec), um dos participantes, afirma que a intenção é “destacar que o processo eleitoral brasileiro deve ser respeitado” e que “governos estrangeiros e empresas de tecnologia também observem a soberania brasileira”.

Pressão externa e eleições brasileiras

A viagem da comitiva ocorre em um contexto de crescente presença internacional de figuras políticas brasileiras nos Estados Unidos. O pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL), por exemplo, realizou cinco viagens ao país neste ano, a última em julho. Ele usou esses encontros para contestar a aplicação de tarifas ao Brasil e, em outras ocasiões, para buscar apoio externo.

Em março, Flávio Bolsonaro discursou na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), um dos maiores eventos do gênero, onde fez um apelo público. Ele pediu aos Estados Unidos e ao “mundo livre” que “apliquem pressão diplomática para que nossas instituições funcionem corretamente”. Ele também solicitou que observassem as eleições brasileiras “com enorme atenção” e monitorassem a “liberdade de expressão do nosso povo”.

Seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, vive nos EUA desde o início de 2025 e tem feito frequentes viagens a Washington, ao lado do influenciador Paulo Figueiredo. Ambos têm pressionado o governo americano e parlamentares republicanos a agir contra autoridades brasileiras, como a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por golpe de estado. Essa atuação contrasta diretamente com a missão atual, que busca justamente evitar a ingerência externa.

Soberania digital e combate à violência política

Além das preocupações gerais com a interferência eleitoral, a comitiva leva aos parlamentares americanos um tema específico: o papel das plataformas digitais e dos sistemas de inteligência artificial. André Fernandes, diretor do IP.rec, destaca a preocupação com a “amplificação da violência política, especialmente contra mulheres, pessoas negras e outros grupos historicamente vulnerabilizados” por essas tecnologias.

Fernandes ressalta a importância de que “o avanço de sistemas de inteligência artificial e das grandes plataformas não pode enfraquecer a soberania regulatória do Brasil nem se sobrepor às decisões democráticas tomadas pelo país”. Ele reforça que o foco da iniciativa é “defender o princípio da não ingerência em assuntos internos do Brasil e reforçar a confiança no sistema democrático do país”.

Perguntas Frequentes

Por que movimentos sociais brasileiros foram a Washington?

Movimentos sociais brasileiros viajaram a Washington, D.C., para buscar apoio internacional contra qualquer interferência estrangeira nas próximas eleições presidenciais do Brasil. Eles visam a fortalecer a soberania e a confiança no sistema democrático nacional.

Quem são os grupos envolvidos na missão em Washington?

A missão é composta por cerca de 15 organizações da sociedade civil, lideradas pelo Washington Brazil Office. Incluem nomes como Apib, CUT, MTST, Comissão Arns, Instituto Marielle Franco e IP.rec.

Quais os objetivos específicos das reuniões com parlamentares americanos?

Os objetivos são dialogar sobre o respeito ao processo eleitoral brasileiro, alertar sobre o papel das plataformas digitais e da inteligência artificial na amplificação da violência política, e defender o princípio da não ingerência em assuntos internos do Brasil.

Há outros brasileiros buscando apoio nos EUA sobre as eleições?

Sim, pré-candidatos como Flávio Bolsonaro e seu irmão Eduardo Bolsonaro têm feito viagens frequentes aos EUA para solicitar pressão diplomática contra autoridades brasileiras, apresentando uma visão oposta à da comitiva atual.